Post-252

Lista dos melhores livros de todos os tempos (www.thegreatestbooks.org)

147. As correções (The corrections), Jonathan Franzen (1959-)

A obra, lançada em 2001, foi muito bem recebida pela crítica norte-americana, sendo contemplada com o National Book Award em 2001 e o James Tait Black Memorial Prize em 2002, além de ter sido finalista em diversas outras premiações. O livro aborda a vida de um casal idoso e de seus três filhos (dois homens e uma mulher) desde meados do século XX até a virada do milênio, quando a mãe insiste na realização de “uma última festa de Natal” para aproveitar a presença do agonizante patriarca, já demente e com mal de Parkinson. As crises pessoais e os conflitos emocionais da família são vistos sob as perspectivas dos diferentes familiares. Considera-se que esse romance seja um meritório representante do Realismo literário. O amplo sucesso do livro fez com que o autor ficasse conhecido em todo o país, chegando, inclusive, a ser capa da famosa revista Time.

Franzen estudou Literatura em faculdades norte-americanas e alemãs, língua esta que dominava com fluência. Em 1982 casou-se com uma escritora, quando então decidiram se mudar para Boston, onde ele pretendia seguir uma carreira literária. Contudo, tal propósito não se consolidou. Mas como sabemos que as rodas do destino se movem da forma como bem entendem, Franzen logrou publicar seu primeiro livro (The Twenty-seventh city) em 1988. A partir daí a almejada carreira de escritor se consolidou fortemente. Até o momento (2024), Franzen publicou seis romances, além de diversos ensaios. Em termos comparativos não é uma expressiva produtividade literária, dado que, em duas ocasiões, ele guardou um longo intervalo de nove anos entre as publicações. O sucesso do livro “As correções” levou a que vários cineastas se preparassem para filmar a obra, inclusive com os possíveis atores já escolhidos. No entanto, os planos foram abandonados devido à dificuldade de se adaptar a narrativa de uma forma atraente para o espectador.

A edição brasileira, lançada em 2003, foi traduzida por Sérgio Flaksman para a Companhia das Letras. Esta editora publicou ainda mais quatro romances de Jonathan Franzen, ou seja, praticamente sua produção integral, à exceção do primeiro livro.  

Língua havaiana (2)

A mais marcante característica da língua havaiana é o seu curtíssimo alfabeto. Escrito em caracteres latinos, ele possui apenas doze letras! A saber: 5 vogais (A,E,I,O,U) e 7 consoantes (H,K,L,M,N,P,W). No dialeto Niihau, comentado no Post anterior, foi mantida a letra T, a qual, no alfabeto oficial, foi substituída por K. A ordem das letras nos dicionários é conforme apresentado acima, ou seja, primeiro as vogais e depois as consoantes. Parece-me bastante lógico. A estrutura silábica é sempre formada por uma consoante seguida de vogal. No total é possível a formação de apenas 162 sílabas, número baixíssimo em comparação com a maioria dos idiomas. Tal característica, aliada à ausência de encontros consonantais (única exceção: Kristo, palavra introduzida pelos missionários), faz com que o idioma havaiano tenha uma notável musicalidade. Com relação à fonética, existem as vogais longas, sempre marcadas por um traço horizontal superior, conhecido como mácron: Ā, Ē, Ī, Ō, Ū. A língua não possui diacríticos (sinais gráficos) para destacar as sílabas tônicas. Normalmente as palavras em havaiano são paroxítonas, sendo que as vogais longas são sempre tônicas.

A respeito dos pronomes pessoais, eles variam conforme a classe singular, dual (duas pessoas ou objetos) e plural. Além disso existem para os pronomes da primeira pessoa do plural as formas inclusiva (inclui o interlocutor) e exclusiva (exclui o interlocutor), conforme já visto para outros idiomas asiáticos. Em resumo, tem-se:

Eu (au), tu (oe), ele/ela (oia), nós (kāua – dual inclusivo, māua – dual exclusivo, kākou – plural inclusivo, mākou – plural exclusivo), vós (olua no dual e oukou no plural), eles/elas (lāua no dual e lākou no plural).  Como pode uma língua de apenas doze letras ter quatro formas para exprimir a palavrinha “nós”?

No idioma havaiano os verbos não são conjugáveis, não há distinção de gênero e a ordem das palavras na frase segue o modelo V-S-O (verbo, sujeito, objeto). Embora existam reduplicações de palavras, elas não são usadas normalmente para se formar o plural, como visto para outros idiomas, mas são capazes de modificar o sentido dos termos. Assim: au (nadar), au’au (tomar banho). Este sinalzinho colocado entre os dois au é a “parada glotal”, ou seja, deve ser feito um brevíssimo intervalo na pronúncia. O exemplo mais conhecido de reduplicação é o da palavra wiki-wiki, que significa “rápido”. É daí que provém a mundialmente famosa Wikipedia, isto é, a enciclopédia de acesso rápido. Muito usada também é a palavra havaiana luau, que, ao contrário do imaginário popular brasileiro, nada tem a ver com “lua”. Este termo designa uma festa informal na praia, geralmente com música e dança. Mas a palavra campeã, de fama mundial, é aloha, a qual, além de ser usada para cumprimentar e despedir, representa os conceitos de amor, bondade e harmonia.

Na riquíssima língua havaiana existem termos variados para se designar aspectos da natureza como, por exemplo, “mar”, “montanha” e “nuvem”. Esta última utiliza nomes diversos conforme a cor, formato, altura etc. Quase todos os substantivos havaianos são idênticos aos respectivos verbos. Por exemplo kau pode significar “ver” e “visão”.

Dias da semana: Pō’enahi, Pō’elua, Pō’ekolu, Pō’ehā, Pō’elima, Pō’eono, Lāpule.

Números de um a dez: ekahi, elua, ekolu, ehā, elima, eono, ehiku, ewalu, eiwa, umi.

Algumas expressões: Mahalo (obrigado), E kala mai (desculpe), Aloha kakahiaka (bom dia), Maopopo ia’u’ole (eu não entendo), Aloha wao iā’oe (eu te amo).      

Nomes de ervas e temperos em algumas línguas (5)

Ordem das traduções: inglês, francês, espanhol, italiano, alemão e russo.

Louro: bay leaf, feuille de laurier, hoja de laurel, foglia d’alloro, Loorbeerblatt, ЛАВРОВЬИЙ ЛИСТ (lavrovui list);

Manjericão: basil, basilic, albahaca, basílico, Basilikum, БАЗИЛИК (bazilic);

Mostarda: mustard, moutarde, mostaza, mostarda, Senf, ГОРЧИЦА (gortchitsa);

Noz moscada: nutmeg, noix de muscade, nuez moscada, noce moscata, Muskatnuss, МУСКАТНЫЙ ОРЕХ (muscatni orech);

Orégano: oregano, origan, orégano, origano, Oregano, ОРЕГАНО (orégano).

Frase para sobremesa: Há coisas que só se aprende quando ninguém as ensina. E com a vida é assim. (Clarice Lispector, 1920-77).

Até a próxima!

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