Lista dos melhores livros de todos os tempos (www.thegreatestbooks.org)
146. Meridiano de sangue (Bloody meridian), Cormac McCarthy (1933-2023)
Este romance histórico, no gênero faroeste, consiste em um marcante épico sobre o oeste norte-americano. A história, que se passa na fronteira entre EUA e México, retrata as experiências de um garoto no seu envolvimento com uma gangue de caçadores de escalpos. A obra, lançada em 1985, teve uma recepção morna pela crítica e pelo público. Algumas décadas depois, o livro era aclamado como um dos maiores romances da literatura norte-americana. Lembremos que tais mudanças de apreciação não são raras no ambiente literário, notadamente nos EUA.
Nascido como Charles Joseph McCarthy Jr., Cormac, autor de 12 romances na sua carreira de escritor, se notabilizou pela violência intrínseca à maioria de suas obras, quase sempre redigidas em um estilo peculiar, onde as pontuações são muito esparsas. Mas a crítica também passou a gostar desta característica, tanto que o autor ganhou relevantes prêmios no país, dentre eles os conceituados National Book Award (1992) e o Prêmio Pulitzer de Ficção (2007). Cormac começou a estudar Física e Engenharia na Universidade do Tennessee. No entanto, abandonou a faculdade em 1953 para ingressar na Força Aérea dos EUA, onde ficou por quatro anos. Estacionado no frio do Alasca, ele começou a ler vorazmente, o que fazia pela primeira vez em sua vida. Em 1957 retornou à mesma universidade para estudar Artes. Seu primeiro romance, “O guarda do pomar” (The orchard keeper) foi publicado em 1965. Diversas obras de Cormac foram transpostas para o cinema, com destaque para “Onde os fracos não têm vez” (No country for old men), dirigido pelos irmãos Joel (1954-) e Ethan Coen (1957-), vencedor do Oscar de melhor filme em 2008.
A publicação brasileira do livro, com tradução de Cássio Arantes Leite, foi feita em duas edições da Alfaguara, sendo a mais recente de 2020. Em Portugal o romance é designado pelo título alternativo de “Meridiano sangrento”, tão válido quanto a opção brasileira.
Línguas da Polinésia
Elas pertencem à família malaio-polinésia, ramo polinésio e estão geograficamente localizadas na região centro-norte do Oceano Pacífico. Repetimos aqui a observação, já feita em outros Posts, sobre as variações existentes nas diversas propostas de classificação linguística. Seguimos, ancorados no bom senso, as divisões idiomáticas mais atualizadas e com maior divulgação popular.
Língua havaiana (1)
Trata-se de uma das mais conhecidas línguas do grupo polinésio, haja vista o fato de ser falada no Havaí, um estado dos Estados Unidos da América, onde é o idioma oficial, juntamente com o inglês. Um dos filhos mais famosos desse estado é o ex-presidente norte-americano Barack Obama (1961-). Acredita-se que os primeiros habitantes do Arquipélago do Havaí foram exploradores que vieram de várias partes da Polinésia após terem navegado por milhares de quilômetros. Embora colonizadores portugueses e espanhóis já indicassem a presença do arquipélago em viagens feitas no século XVI, foi só em 1778 que as ilhas foram registradas oficialmente, isto é, com a definição das coordenadas, pelo lendário capitão britânico James Cook (1728-79), o qual veio a falecer em combate com nativos havaianos. Na época o arquipélago foi batizado como “Ilhas Sanduíche”, em homenagem ao Duque de Sandwich (1718-92), aquele mesmo nobre inglês que havia introduzido o hábito de colocar pedaços de carne entre duas fatias de pão para que não necessitasse se ausentar das mesas de jogos de cartas quando a fome surgia. Na época a língua havaiana já existia, mas apenas na sua forma oral, sendo transmitida ao longo das gerações na forma de músicas tradicionais.
Em 1810 foi introduzido pelo rei Kamehameha I o regime monárquico no arquipélago. Ao final do século XIX, em 1898, ocorreu a invasão militar norte-americana no Havaí, com a deposição da rainha Liluokalani e a designação das ilhas como sendo um território dos EUA, na verdade seu quinquagésimo estado. À época o ensino do idioma havaiano, cujo primeiro dicionário surgiu em 1810 por iniciativa de missionários, foi completamente banido das escolas. A língua então iniciou um processo de desaparecimento que muitos julgavam ser irreversível. Destaca-se que, em meados do século XIX, com a língua havaiana já plenamente sistematizada, o Havaí possuía um índice de alfabetização superior a 75%, portanto um dos maiores do mundo na ocasião. Foi só a partir da década de 1980 que se iniciou a recuperação do idioma, com a criação de muitas escolas destinadas ao ensino da língua havaiana, incluindo-se a introdução de cursos de Mestrado e Doutorado na Universidade do Havaí. Atualmente estima-se que vinte mil pessoas são fluentes em havaiano, o que equivale a menos de 2% da população total do arquipélago. No entanto, existem perspectivas de que este percentual vá aumentando ao longo do tempo. A UNESCO ainda classifica o idioma havaiano como “criticamente ameaçado”. Merece destaque a curiosa situação de um dos dialetos do havaiano, denominado Niihau. Esta ilha homônima, com cerca de 200 habitantes, é o único lugar do mundo em que o havaiano original é falado pela maioria da população. Embora a ilha faça parte do Arquipélago do Havaí, as terras são propriedade dos descendentes da britânica Elizabeth Sinclair, que comprou Niihau do Reino do Havaí em 1864 por dez mil dólares em ouro. Até hoje a ilha, de 180 km2, segue fechada ao público. Vamos ao idioma (continua).
Nomes de ervas e temperos em algumas línguas (4)
Ordem das traduções: inglês, francês, espanhol, italiano, alemão e russo.
Endívia: endive, endive, endibia, indivia, Endivie, ЭНДИВИЙ (endivii);
Erva-cidreira: lemongrass, citronelle, hierba de limón, citronella, Zitronengras, ЛЕМОНГРАСС (lemongrass);
Estragão: tarragon, estragon, estragón, dragoncello, Estragon, ЭСТРАГОН (estragon);
Gengibre: ginger, gingembre, gengibre, zenzero, Ingwer, ИМБИРЬ (imbir);
Hortelã: mint, mente, menta, menta, Minze, МЯТА (miata).
Frase para sobremesa: É mais difícil esconder a ignorância do que adquirir conhecimento (François Rabelais, 1494-1553)
Bom descanso!