Lista dos melhores livros de todos os tempos (www.thegreatestbooks.org)
144. Os Buddenbrook (Buddenbrooks: Verfall einer Familie), Thomas Mann (1875-1955)
Sem qualquer dúvida, se trata de um dos maiores romances do século XX. Na entrega do Prêmio Nobel de Literatura a Thomas Mann, em 1929 (V. Post-18), foi essa a obra comentada pelo júri como sendo “um dos livros clássicos da literatura contemporânea” e não o famoso “A montanha mágica” (V. Post-154), frequentemente citado como a obra-prima de Mann. Deste autor comentamos ainda sua última produção literária, Doutor Fausto (Post-239).
O que surpreende é o fato de “Os Buddenbrook” ter sido o primeiro romance escrito por Thomas Mann, lançado em 1901, quando ele tinha apenas 26 anos. Realmente, começou muito bem o rapaz. A obra retrata a vida, por quatro gerações, de uma rica família de comerciantes no Norte da Alemanha. Muitos críticos observam ali fortes tintas autobiográficas. Como ocorre em todos os livros de Mann, é encontrada uma cativante riqueza de detalhes, de descrições de pessoas, objetos e construções, transformando a leitura em um agradável recebimento de impressões muito bem redigidas. Naturalmente surgem no enredo os nascimentos, funerais, casamentos e separações, em suma, todos os eventos que marcam o decorrer das vidas familiares.
Existem três adaptações cinematográficas (sem contar as séries feitas para televisão), todas elas de origem alemã: a de 1923, ainda no cinema mudo, dirigida por Gerhard Lamprecht (1897-1974), a de 1959, a cargo de Alfred Weidenmann (1916-2000) e a mais recente, de 2008, dirigida por Heinrich Breloer (1942-). De fato, o tema parece inesgotável.
A tradução brasileira, publicada seguidamente por diversas editoras, foi feita pelo alemão, naturalizado brasileiro, Herbert Caro (1906-1991), o mesmo tradutor de “A montanha mágica”. Caro é um dos melhores exemplos de como uma tradução cuidadosa e fiel acaba por enriquecer sobremaneira a obra original. No Brasil, algumas versões são apresentadas com o título estendido: “Os Buddenbrook: decadência de uma família”. E é exatamente isto o que o livro mostra.
Língua nauruana
Idioma falado na Ilha de Nauru, localizada no Oceano Pacífico. Trata-se da menor república do mundo, tendo uma área de apenas 21 km2. O país, que possui somente dois táxis, tem uma rede rodoviária total de 40 km. No entanto, o mais curioso é que este pontinho perdido no mapa possuía diversos dialetos, por vezes mutuamente incompreensíveis, até a consolidação do idioma nauruano, o que ocorreu no início do século XX. Uma outra peculiaridade é que Nauru é o país com o maior índice de obesidade no mundo. Pessoas gordas, tanto homens quanto mulheres, são consideradas como símbolo de saúde e de elegância. Algum dia este panorama irá mudar. A etimologia do nome “Nauru” é incerta, havendo especialistas que a atribuem como uma contração de a-nuau-a-a-ororo, que significa simplesmente “eu vou à praia”. A propósito, os nativos da ilha a designam por Naoero.
Em meados do século XIX, colonizadores alemães encontraram ricos depósitos de fosfato, iniciando uma exploração predatória que tornou inabitável 80% do território da ilha. Durante a Primeira Guerra Mundial o país foi ocupado pela Austrália. Em 1942, por ocasião da Segunda Guerra Mundial, os japoneses invadiram a ilha e ali ficaram até o fim do conflito, quando Nauru se tornou um território sob tutela da ONU, mas sendo administrado pela Austrália. A independência ocorreu em 1968 e a entrada como país membro da ONU em 1999.
A língua nauruana, falada por cerca de 9.000 pessoas, é escrita no alfabeto latino, possuindo doze vogais (seis longas e seis curtas). Até a reforma ortográfica de 1938 o idioma usava apenas 12 consoantes. No entanto, para atender aos neologismos que surgiram, derivados principalmente do alemão e do kiribati, o número de consoantes foi ampliado para vinte, aproximadamente como na maioria das línguas ocidentais. Um forte exemplo da influência do idioma alemão é a palavra Gott (Deus),trazida pelos missionários, e que se firmou no vocabulário nacional.
A classificação da língua nauruana como pertencente ao ramo micronésio da família malaio-polinésia ainda intriga muitos filólogos, dado o fato de que existe pouca similaridade com os outros idiomas desse grupo. Já comentamos que a classificação de idiomas conforme famílias e ramos não é, nem de longe, uma ciência exata, estando sujeita a inevitáveis conflitos de interpretação. Uma particularidade da língua nauruana é a sua complexa fonética, considerada por especialistas como uma das mais difíceis do mundo.
Dias da semana: mondak, rindak, mituwok, donertak, preidak, tarere, tondak.
Números de 1 a 10: aiquen, aro, aiju, aeoq, aijimo, ano, aeiu, aoju, ado, ata.
Algumas expressões: Ekamowir omo (Olá), Tagwong (Até logo), Omo yoran (Bom dia), Mangada (Por favor), Ead aeõ dura (Desculpe), Nga ebonu (Eu te amo), Tubwa kor (Obrigado).
Nomes de ervas e temperos em algumas línguas (2)
Ordem das traduções: inglês, francês, espanhol, italiano, alemão e russo.
Alho-porró: leek, poireau, puerro, porro, Lauch, ЛУК-ПОРЕЙ (lukporei); a curiosa etimologia dessa palavra merece uma breve explicação: ela procede do latim porrum, com o significado de um bastão com cabo grosso ou maça ou palmatória; a semelhança do formato da erva com esse instrumento levou a que ela fosse denominada de “alho-porro”. Daí vêm nossas palavras “porrete” e “porrada”. Todavia, a associação com o formato do órgão genital masculino gerou a criação da palavra chula “porra”. Para evitar constrangimentos, o brasileiro prefere utilizar a variante “alho-poró”, ao passo que em Portugal são usados “alho-porro” e “alho-porrô” Assim ficamos todos tranquilos.
Anis (erva-doce): anise, anis, erva dulce, anice, Anis, АНИС (anis);
Baunilha: vanilla, vanille, vainilla, vaniglia, Vanille, ВАНИЛЬ (vanil);
Canela: cinnamon, cannelle, canela, cannella, Zimt, КОРИЦА (coritsa);
Cardamomo: cardamom, cardamome, cardamomo, cardamomo, Kardamom, КАРДАМОН (kardamon).
Frase para sobremesa: Existem anos que fazem perguntas e anos que respondem (Zora N. Hurston, 1891-1960).
Bom descanso!