Lista dos melhores livros de todos os tempos (www.thegreatestbooks.org)
143. O amor nos tempos do cólera (El amor en los tiempos del cólera), Gabriel Garcia Márquez (1927-2014)
Uma das maiores obras do escritor colombiano Garcia Márquez, este livro aborda a longa e quase impossível tentativa de conquista amorosa entre Fermina e Florentino, a qual cruza mais de cinco décadas. Grande parte do romance é apresentada na forma de correspondências escondidas. Construído na corrente literária do Realismo Mágico – o qual permite a criação de situações inverossímeis, daí a sua mágica – o livro é, em síntese, um comovente relato de como a busca do amor pode superar qualquer barreira temporal.
Destaca-se que a obra foi lançada em 1985, portanto três anos após a concessão do Prêmio Nobel ao seu autor. Um fenômeno que é observado com alguma frequência é a diminuição ou mesmo encerramento da atividade literária na fase subsequente ao recebimento do maior prêmio da literatura mundial. Talvez um dos motivos para tal comportamento seja o receio da produção de obras de menor qualidade – obviamente causando constrangimentos ao escritor – ou ainda a justificativa do pouco tempo para ser dedicado à escrita face a um acúmulo de compromissos sociais e profissionais. Na verdade, são tão somente desculpas fabricadas por pessoas que desejam apenas descansar à sombra do laurel recebido. Contudo, não foi este o caso de Garcia Márquez, que criou um magnífico romance, considerado por muitos críticos como sendo até superior a “Cem anos de solidão” (esta é, também, minha modesta opinião).
O autor já foi apresentado em dois Posts no nosso Blog: o de número 67, no qual comentamos o Nobel recebido em 1982 e o de número 115, quando apresentamos o romance “Cem anos de solidão”, ocupando uma surpreendente quarta colocação na Lista de Melhores Livros. Existe uma conhecida adaptação cinematográfica (Love in the time of cholera) de 2007, dirigida pelo britânico Mike Newell (1942-) e contando com a presença do ator espanhol Javier Bardem (1969-) e da atriz italiana Giovanna Mezzogiorno (1974-). A tradução brasileira, apresentada em dezenas de edições da Record, foi realizada em 1985 pelo romancista Antonio Callado (1917-97). A propósito, em Portugal o título tem uma minúscula diferença: “O amor nos tempos de cólera”. Deixemos este debate para os linguistas.
Língua pohnpeiana
É o segundo idioma mais importante da Micronésia, depois do Chuuquês. Ele é usado por cerca de 33 mil moradores no estado de Pohnpei. Uma característica dessa língua é a existência de duas linguagens: a honorífica, quando se fala “com” ou “sobre” uma pessoa de nível social mais elevado e a baixa, em caso contrário. Em alguns casos é usado o prefixo ket para transformar um verbo informal em um formal. Por exemplo: kiong (dar – informal) e ketkiong (dar – honorífico). O curioso é que, frequentemente, essas duas variantes podem ser completamente distintas, principalmente com relação ao vocabulário (informal/formal): imwe/tehnpese (casa), sapwe/nillime (terra).
A consolidação de uma gramática da língua pohnpeiana só ocorreu em 1994, desenvolvida por missionários alemães. O idioma é escrito no alfabeto latino, não possuindo as consoantes B, C, F, G, H, J, Q, V, X, Y, Z. Existem três dialetos, mutuamente inteligíveis. A ordem das palavras na frase é S-V-O, como na maioria das línguas ocidentais. Devido ao processo histórico de colonização das ilhas, que atualmente formam a Federação da Micronésia, existem diversos empréstimos de línguas estrangeiras. Por exemplo, kana (do espanhol ganar – ganhar), pwoht (do inglês boat – barco), mahlen (do alemão malen – pintar). Ainda como herança da língua alemã, a presença da letra h indica uma vogal longa.
No idioma Pohnpeiano a chamada “posse inalienável” é sempre marcada por sufixos, o que ocorre em poucas línguas do mundo. E o que é essa tal de “posse inalienável”? São nomes que não possuem vida própria fora de um contexto de posse. Por exemplo, a palavra “perna” sempre está associada à posse de alguém, mesmo que seja um animal. Da mesma forma “olho” e “mãe”. Já a “posse alienável” se refere a objetos independentes, como “livro”, “árvore”. Os pronomes demonstrativos seguem a mesma distribuição vista nas línguas anteriores: proximal, medial e distal. A negação é feita pela inserção do prefixo sa. Assim: wehwe (entender), samehwe (não entender) ou pwung (correto) e sapwung (incorreto).
Dias da semana: neihd, niare, niesil, niapeng, nialem, nikaunop, santi. Números de 1 a 10: ehu, riau, silu, pahieu, limau, wenou, isuh, waluh, duwal, eisek. Os numerais são colocados após as palavras referidas.
Algumas expressões: Kaselehlie (Olá e Até logo), Menseng mwahu (Bom dia), E yung (Desculpe), Mah (Por favor), I sohte wehwehki (Eu não entendo), I poakpoakei uhk (eu te amo), Kalahngan (Obrigado – formal), Menlau (Obrigado – informal).
Nomes de ervas e temperos em algumas línguas (1)
Este é um dos temas mais complexos quando se estuda línguas estrangeiras. Na verdade, podemos sentir que estamos avançados no conhecimento de algum idioma quando abrimos um cardápio e entendemos quais são os pratos e, principalmente, seus ingredientes. As traduções a seguir são apresentadas na seguinte ordem: inglês, francês, espanhol, italiano, alemão (lembremos que aqui os substantivos são escritos em inicial maiúscula)e russo.
Açafrão: saffron, safran, azafrán, zafferano, Safran, ШАФРАН (shafran);
Aipo: celery, céleri, apio, sedano, Sellerie, СЕЛЬДЕРЕЙ (seldierei);
Alcaparra: caper, câpre, alcaparra, cappero, Kapern, КАПЕРС (capiers);
Alecrim: rosemary, romarin, romero, rosmarino, Rosmarin, РОЗМАРИН (rozmarin);
Alho: garlic, ail, ajo, aglio, Knoblauch, ЧЕСНОК (tchesnok).
Frase para sobremesa: Todo homem está convencido de que a verdade existe, ou ele não faria nenhuma pergunta (Charles Sanders Peirce, 1839-1914).
Até a próxima!