Lista dos melhores livros de todos os tempos (www.thegreatestbooks.org)
141. Ligações perigosas (Les liaisons dangereuses), Pierre Choderlos de Laclos (1741-1803)
Considerado como uma das obras mais representativas da literatura erótica, este livro causou estrondoso sucesso de público no seu lançamento na França em 1782. Em uma semana foram vendidos dois mil exemplares – enorme quantidade para os padrões da época – havendo ainda o registro de 15 edições “pirata”. Trata-se de um romance epistolar, vale dizer, uma obra literária formada por cartas redigidas entre os personagens. As 175 correspondências que fazem parte do livro evidenciam as relações entre um grupo de aristocratas no período que antecedeu a Revolução Francesa. O conteúdo dessas cartas revela as intrigas e jogos de sedução, marcados por desejos e paixões no âmbito do relacionamento entre homens e mulheres da nobreza da França. Apesar do grande impacto no público leitor do século XVIII, a aclamação pela crítica só veio a ocorrer em meados do século XX.
Pierre Choderlos de Laclos (observem que as letras “s” ao final desses nomes não são pronunciadas; no Post 20 comentamos sobre a dificuldade que a língua francesa nos oferece em relação à fonética do “s” final) foi um general do exército francês, tendo sido inclusive comandado por Napoleão. Este foi o único livro que ele escreveu, além de uns poucos poemas e ensaios. Laclos morreu de malária e disenteria na Itália.
São reportadas 11 adaptações para as telas de cinema. Três delas merecem destaque: a de 1959, dirigida por Roger Vadim (1928-2000) com a presença de Jeanne Moreau (1928-2017); a premiada versão de 1988, dirigida por Stephen Frears (1941-), com a atriz Glenn Close (1947-) e, no ano seguinte, a película dirigida pelo tcheco Milos Forman (1932-2018), estrelada por Annette Bening (1958-).
Quanto às traduções, registra-se a de Dorothée de Bruchard (editora Companhia das Letras, sob o título de “As relações perigosas”), lançada em várias edições, a última delas em 2012 e a de Fernando Cacciatore de Garcia (Editora L&PM, última edição em 2015).
Língua marshallesa
Ela é, juntamente com o inglês, uma das línguas oficiais das Ilhas Marshall. Este país tornou-se, após a Segunda Guerra Mundial, um Estado Livre Associado dos EUA, que, de 1946 a 58 desenvolveram na região testes nucleares com a explosão de bombas atômicas. Tristemente famoso é o caso do atol de Bikini, onde se concentrou a maior parte das experiências. A designação do maiô de duas peças é originada deste topônimo, no sentido de que tal traje provocara o efeito de uma bomba atômica. Embora possa parecer fantasiosa, é essa a real etimologia. O atol de Bikini nunca mais pôde ser repovoado, ficando como um testemunho de atos insanos da humanidade. Como vimos para a ilha de Kiribati, no Post anterior, também aqui existe uma gigantesca desproporção entre a área total do país (mais de um milhão de km2) e a sua superfície terrestre (apenas 181 km2). As Ilhas Marshall tornaram-se independentes em 1979, mantendo, no entanto, o dólar norte-americano como moeda oficial.
O marshallês é falado por aproximadamente 55.000 usuários. Possui dois dialetos principais, o Ralik (na região ocidental) e o Ratak (na oriental). Ambos são mutuamente compreensíveis, divergindo apenas na fonética e na grafia de algumas palavras. O alfabeto, na escrita latina, possui 24 letras, sendo 13 consoantes. Algumas delas possuem a “cedilha”, que nos é tão familiar. Este predomínio de vogais, pronunciadas de distintas formas, confere uma sonoridade especial ao idioma. Bastante curiosa é a questão da ortografia, que possui dois sistemas: o antigo, que ainda é o mais popular no país, e o novo, que, por apresentar uma maior consistência fonológica, é aquele ensinado nas escolas e usado em documentos oficiais.
Ao contrário de muitas línguas da família malaio-polinésia, a ordem das palavras no marshallês segue o padrão S-V-O. Os nomes não variam em número, gênero ou caso. Os pronomes demonstrativos se expandem para cinco situações: objeto próximo ao falante; próximo ao falante e ao ouvinte; próximo ao ouvinte; longe do falante e do ouvinte; distante de ambos, mas visível. As designações variam para humanos e não humanos. É como se, em português, as frases este amigo e este livro tivessem variações no termo este.
Dias da semana: mande, juje, wonje, taije, boraide, jadede, jabot. Numerais de 1 a 10: juon, ruo, jilu, eman, lalem, jiljino, jimjuon, ralitok, ratimjuon, jonoul. De forma distinta à maioria dos idiomas, os números ordinais (primeiro, segundo, terceiro…) são, praticamente, a repetição dos cardinais com a incorporação de kein ka. Assim tem-se: kein kajuon (primeiro), kein karuo (segundo), kein kajilu (terceiro) etc.
Algumas expressões: Iakwe (à semelhança do conhecido aloha em havaiano, ela pode significar “Olá”, “Bom dia”, “Até logo” e a palavra “Amor”; por exemplo, “eu te amo” é lj iakwe eok), Ljab melele (Eu não entendo), Jolok bod (Desculpe), Jouj (Por favor), Kommol (Obrigado).
Água doce ou água fresca?
Estes dois atributos são utilizados para se designar o oposto de “água salgada”. Há idiomas que preferem a primeira versão, outros a segunda, ao passo que o russo e o búlgaro criaram uma terceira possibilidade. Abaixo apresentamos exemplos em alguns idiomas:
Água doce: francês (eau douce), espanhol (agua dulce), italiano (acqua dolce), alemão (Süsswasser), grego (γλυκό νερό– glicó neró), latim (dulcis aqua), holandês (zoetwater), romeno (apa dulce), esperanto (dolĉa akvo), eslovaco (sladkey vody), persa (ثڍړڍڼ اب – âb-e-shirin).
Água fresca: inglês (fresh water), sueco (färskvatten), dinamarquês (friskvand), norueguês (ferskvann), húngaro (friss víz), luxemburguês (fresch wasser), polonês (świeża woda), croata (svježa voda), eslovênio (sveža voda), tcheco (čerstvou vodu).
Água insípida: пресная вода (présnaia vodá), búlgaro: прясна вода (priasna)
Frase para sobremesa: O tempo, que frequentemente voa como um pássaro, arrasta-se outras vezes que nem uma tartaruga. Mas nunca parece tão agradável como quando não sabemos se ele anda rápido ou devagar (Ivan Turguêniev, 1818-83).
Até a próxima!