Lista dos melhores livros de todos os tempos (www.thegreatestbooks.org)
140. A tempestade (The tempest), William Shakespeare (1564-1616)
É aclamada pelos críticos e pelo público leitor como uma das maiores peças de William Shakespeare, o mais influente dramaturgo da história. No Post 117, onde foi abordado o livro Hamlet, apresentamos um resumo da biografia do maior escritor inglês. Cabe lembrar que os vários sucessos literários de Shakespeare só começaram a ocorrer cerca de dois séculos após a sua morte. Estima-se que “A tempestade” tenha sido escrita entre 1610 e 1611, tratando-se provavelmente, da última grande criação do autor. Malgrado os esforços de pesquisadores e biógrafos, não se tem até hoje uma clara estrutura das datas de escrita e publicação das principais obras de Shakespeare.
A trama do livro se inicia com o naufrágio de um navio, provocado pelos mágicos poderes de Próspero, exilado com sua filha em uma remota ilha povoada por monstros e espíritos. Um dos náufragos é o irmão nobre de Próspero, que ali consegue chegar e logo inicia uma complexa teia de relacionamentos marcados pelo amor e pela vingança. Como era comum nos livros clássicos dessa época, existem claras inspirações decorrentes dos escritos de famosos filósofos, com destaque aqui para Erasmo de Roterdã. Alguns poucos trechos são praticamente copiados do livro “Metamorfoses”, do poeta grego Ovídio (43 a.C.-17). Cabe relembrar a mais famosa frase da peça: We are such stuff as dreams are made on (Somos feitos da mesma matéria que nossos sonhos).
Existem dezenas de óperas baseadas, direta ou indiretamente, na peça “A tempestade”, assim como pinturas clássicas e modernas Quanto às adaptações cinematográficas pode-se destacar o curta-metragem de 1905 (dois minutos), dirigido pelo inglês Herbert Beerbohm Tree (1852-1917) e o filme “A última tempestade” (Prospero’s Book’s), do britânico Peter Greenway (1942-), contando com a soberba atuação de John Gielgud (1904-2000) no papel de Próspero.
Na parte de literatura foram produzidos diversos livros com adaptação/simplificação da peça, incluindo histórias em quadrinho. Dentre as traduções brasileiras pode-se mencionar a de Beatriz Viegas-Faria para a editora L&PM Pocket (2002) e a do premiado tradutor José Francisco Botelho (Penguin, 2022).
Língua kiribati
Também chamada de gilbertês, conforme o nome antigo do país Kiribati (Ilhas Gilbert), ela é falada por cerca de 130.000 pessoas. Ao contrário de muitos idiomas da família malaio-polinésia, o kiribati não apresenta risco de extinção. Um bom indicador dessa condição é o fato de somente 30% da população ser bilingue em inglês, que é a outra língua oficial do país. Como curiosidade, vale destacar que Kiribati possui uma superfície total de cinco milhões de km2, da qual apenas 800 km2 são terra firme, fenômeno este que é comum para muitos países insulares na vastidão do Oceano Pacífico.
Existem dois dialetos principais, o setentrional e o meridional, mutuamente inteligíveis e que se distinguem apenas em variações fonéticas. As primeiras formas escritas do kiribati surgiram na década de 1860. O alfabeto, de caracteres latinos, possui apenas 13 consoantes, além de dez vogais (cinco curtas e cinco longas). Já vimos que este baixo número de consoantes em muitas das línguas da família malaio-polinésia transmite ao idioma uma sonoridade bastante peculiar. É importante a separação feita entre vogais curtas e longas, dado que o sentido da palavra muitas vezes é alterado. Assim: on (cheio), oon (tartaruga) ou atu (pacote) e atuu (cabeça).
Os substantivos são formados a partir de verbos e adjetivos precedidos pela partícula te. Por exemplo, uraura (vermelho), te uraura (vermelhidão) ou nako (ir), te nako (ida). O alongamento das vogais serve para se construir o plural: te boki (livro) e booki (livros). A partícula te não é considerada como um artigo, mas sim como indicadora de que a palavra seguinte é singular. Embora não haja gêneros obrigatórios em kiribati, existem variações conforme o gênero do falante e do ouvinte. Um exemplo é a designação de irmão/irmã, que é tariu se o irmão/irmã for do mesmo sexo que o falante e maneu se os sexos forem distintos. Ainda não havíamos visto algum idioma que possuísse tal peculiaridade.
A ordem das palavras na frase é V-S-O, que é uma estrutura muito estranha para os falantes de línguas ocidentais. Os verbos não são conjugados, nem tampouco existem os chamados verbos de cópula ou de ligação, como “ser” e “estar”. As reduplicações de palavras atendem a dois objetivos: transformar um verbo na sua forma imperfeita ou habitual (nako – ir, naanako – ir usualmente) ou conferir um aspecto continuativo ao verbo (koro – cortar, korokoro – continuar cortando). Os advérbios podem ter as formas “proximal”, “medial” e “distal”. Assim: ikai (aqui), ikanne (lá) e ikekei (mais além).
A formação de novas palavras em kiribati segue, às vezes, processos curiosos. Assim, o nome para avião é te wanikiba (canoa que voa). Como o país é absolutamente plano, portanto, não possuindo montanhas, essa palavra (montanha) teve de vir emprestada do idioma havaiano: maunga.
Pronomes pessoais: i, ko, e, ti, kam, a (são, provavelmente, os mais curtos do mundo). Dias da semana: moanibong, kauabong, katenibong, kaabong, kanimabong, kaonobong, taabati. Números de 1 a 10: teuana, uoua, tenua, aua, nimaua, onoua, itua, wanua, ruaiua, tebwina (reparem na profusão de vogais).
Algumas expressões: Mauri (Olá), Ko kaman uuti (Bom dia; literalmente; “Você acordou há muito tempo?”), Taioko (Por favor), Kabuara te bure (Desculpe), I aki oota (Eu não entendo), Ti a boo (Até logo), Ko rabwa (Obrigado), I tangiriko (Eu te amo – uma das mais sonoras expressões para essa manifestação).
Prêmio Cervantes de Literatura: algumas estatísticas
Da mesma forma que fizemos com o Prêmio Camões de Literatura (v. Post 207) apresentamos a seguir alguns aspectos estatísticos do Prêmio Cervantes de Literatura. As 49 edições (1976-2024) do Prêmio mostram a seguinte distribuição por país: Espanha: 26, México: 6, Argentina: 4, Chile, Cuba e Uruguai: 3, Colômbia, Nicarágua, Paraguai, Peru e Venezuela: 1. Lembremos que em 1979 ocorreu uma premiação dupla.
As informações que seguem têm como base o mês de novembro/2024. Dentre os 50 laureados, 10 estão vivos e 40 já faleceram. No conjunto dos vivos o mais velho é a uruguaia Ida Vitale (premiada em 2019) com 100 anos enquanto o mais jovem é o espanhol Eduardo Mendoza (premiado em 2016) com 81 anos.
Dentre os falecidos, apenas cinco (10%) morreram antes de completar 80 anos. Do grupo total de premiados, 18 deles (36%) ultrapassaram os 90 anos de vida. Será que existe alguma outra profissão em que mais de um terço das pessoas consegue ultrapassar a barreira nonagenária? Duvido. Escrevamos, portanto, para aumentarmos a longevidade.
Frase para sobremesa: Eu passo três horas por dia escrevendo e o resto do meu dia superando isso (Flannery O’Connor, 1925-64).
Bom descanso!