Lista dos melhores livros de todos os tempos (www.thegreatestbooks.org)
137. Coleção de contos de Ernest Hemingway (The complete short stories of Ernest Hemingway), Ernest Hemingway (1899-1961)
Retorna ao nosso Blog o escritor Ernest Hemingway, um dos autores favoritos do público norte-americano. No Post 37 apresentamos sua biografia, na qualidade de vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1954. No Post 150 foi a vez de explorarmos o livro “O sol também se levanta”, no Post 163 “O velho e o mar” e no Post 188 “Adeus às armas”. Agora surge a compilação de contos, conforme o título exibido acima. Ou seja, ele é, até o momento, o escritor com presença mais frequente nesta Lista de Melhores Livros. Sei que tal condição pode perturbar as mentes de muitos de nossos visitantes, todavia, reiteradas vezes já manifestamos que a lista aqui escolhida é, por sua vez, a compilação de mais de uma centena de listas de avaliações críticas dos melhores livros. Não encontro forma mais justa de apresentar, em uma possível ordem hierárquica, as maiores produções da literatura universal.
Vamos ao livro. Na verdade, cabe observar que, ao contrário do título em inglês, a obra não reúne todos os contos de Hemingway, o que, por si só, não chega a ser um grande problema. Alguns desses contos publicados refletem experiências vividas pelo autor nas suas andanças pelo mundo. Muitos eventos autobiográficos são creditados a Nick Adams, seu personagem mais conhecido, em aventuras nos EUA, Europa e Oriente Médio. A compilação inclui contos que haviam sido rejeitados pelo autor em vida, mas, que, postumamente, seus filhos resolveram publicá-lo (fico pensando se essa seria uma decisão justa). Existem ainda contos infantis, em absoluto contraste com as turbulências, dramas e crueldades reportadas nos seus populares romances. A referida compilação contém 70 contos, sendo 49 no primeiro volume, que, em inglês, teve o título de First Forty-Nine Stories, 14 no segundo volume e 7 no terceiro volume. A única versão brasileira deste conjunto de contos foi lançada pela Editora Bertrand-Brasil em 2015, com tradução de J.J. Veiga.
Línguas da Papua-Nova Guiné (6)
Línguas da família malaio-polinésia
Apresentaremos a seguir três línguas faladas em Papua-Nova Guiné e que pertencem à família malaio-polinésia. Na verdade, a grande ilha abriga muito poucos idiomas dessa família. E, ainda por cima, eles são falados por um pequeno número de pessoas. Além disso, as informações disponíveis na Internet são bastante escassas, pois quem vai se preocupar com idiomas remotos, quase sem literatura, utilizados por menos de 100.000 habitantes? Ora, nós, nós aqui do Blog, que nos interessamos pelo fascínio que cobre todas as línguas, nos preocupamos em conhecê-las um pouquinho mais. Pelos motivos expostos selecionei apenas algumas características, raras e curiosas, que são encontradas em alguns desses idiomas.
Língua Kuanua (Tolai)
Falada por 80 mil pessoas na península de Gazelle, situada no Arquipélago de Bismarck, na parte oriental da ilha da Nova Guiné. Para sermos mais exatos, Kuanua é o nome do idioma e Tolai é o grupo étnico dos seus falantes, mas os dois conceitos muitas vezes se misturam. Para alívio de seus habitantes, e, também, dos filólogos, esta língua é estável, ou seja, não está ameaçada de extinção.
O kuanua forneceu um razoável número de vocábulos para o Tok Pisin, a principal língua de Papua-Nova Guiné. Exemplos: kiau (ovo) e guria (terremoto). Seus pronomes pessoais possuem, à semelhança do Tok Pisin, as formas dual e trial, só que aqui ela se aplica não só à primeira pessoa do plural, mas também às segundas pessoas. Vejamos: iau (eu), u (você)/amur (vocês no dual, i.e., para 2 pessoas)/amutal (vocês, para 3 pessoas)/avat (vocês, para mais de 3 pessoas), ia (ele/ela), amir (nós, dual, exclusivo)/ dor (dual, inclusivo)/amitar (trial, exclusivo)/datal (trial, inclusivo)/aret (para mais de 3 pessoas, exclusivo)/dat (para mais de 3 pessoas, inclusivo), dir (ele/ela, dual), dital (trial), diat (mais de 3 pessoas). No fundo, é mais simples do que parece.
Ao longo do tempo, o alfabeto do idioma perdeu a letra “s”, uma das mais frequentes nas escritas do mundo. A língua Kuanua possui 14 dialetos, vários deles não mutuamente inteligíveis. Por exemplo, a palavra “hoje” pode ser ieri, arika, aken ou kien, que são termos com pouca semelhança entre si. Para se transformar o verbo em um nome usa-se a inserção do prefixo ni. Assim: laun (viver), nilaun (vida), ian (comer), nian (comida). Na maioria dos idiomas do mundo o que ocorre é o oposto, ou seja, o substantivo ou adjetivo é que é transformado em verbo. Para se formar o gerúndio é usada a reduplicação ou então a repetição das primeiras letras. Exemplos: wana (andar), wanawana (andando); tangi (chorar), tangtangi (chorando). A expressão “bom dia” é Bona malaka.
Língua Nakanai
Este idioma á falado por aproximadamente 15 mil pessoas na província de Nova Bretanha Oeste. O nome da língua é pronunciado como Lakalai, pois a letra “n”, embora existente no alfabeto, desapareceu do inventário fonológico. A propósito, o alfabeto do Nakanai possui as cinco vogais clássicas (a,e,i,o,u) e apenas 12 consoantes (b, d, g, h, k, l, n, ng, p, r, s e t). Neste idioma, pela existência de um vocabulário mais reduzido, é comum a ampliação do significado de alguns vocábulos. Por exemplo, kaka, além de “perguntar”, também significa “rezar”, gigi, que é “cantar”, significa também “ler”. Vocês entenderam bem esse fenômeno? Em vez de serem criados novos verbos, prefere-se pegar uma carona naqueles já existentes. Assim é o imprevisível mundo das línguas.
Existem cinco dialetos do Nakanai. O principal deles, denominado Bileki, é entendido por todos os outros falantes. Uma curiosidade, que, na verdade é um traço comportamental, é o fato de ser evitado o uso dos nomes próprios na comunicação verbal. Considera-se, ao contrário da nossa etiqueta ocidental, que chamar alguém pelo nome seja uma descortesia ou, até mesmo, falta de respeito. Tal fenômeno ocorre também em outras línguas orientais, com destaque para o japonês antigo. Em uma conversa face a face o interlocutor deve ser designado pela terceira pessoa (por exemplo, o que o professor acha disso?). Continuando nas peculiaridades da língua Nakanai, há designações distintas nos nomes familiares, dependendo se estamos falando “sobre” ou “com” a pessoa. “Meu cunhado” é e iva-gu quando nos referimos a ele e laiva quando falamos com ele. Ou seja, ao mesmo tempo em que a língua economiza na formação de novos verbos, ela também promove ampliações de vocabulário que não são comuns em outros idiomas.
Na fonética é observada uma simplificação da pronúncia por parte das pessoas mais jovens, o que também é encontrado em diversos outros idiomas. Assim, no jantar da família, enquanto pai e mãe pedem para passar o saho (água), os filhos preferem dizer sao. E todos se entendem.
Vencedores do Prêmio Cervantes de Literatura (23)
2019: Joan Margarit i Consarnau (1938-2021): poeta e arquiteto catalão (vejam seu belo nome), foi professor catedrático de Cálculo Estrutural na Universidade Politécnica da Catalunya. Escrevia seus poemas em versos livres, primeiro em catalão, depois ele mesmo traduzia para o espanhol. Sua obra mais conhecida é Misteriosamente feliç, cujo título leva a marca do “cedilha final”, típico do idioma catalão. Embora tenha sido escolhido para o Prêmio Cervantes de Literatura em 2019, a pandemia forçou o adiamento da entrega para 2021. Joan, no estágio terminal da luta contra um câncer, recebeu o laurel dois meses antes de falecer, em sessão privada, diretamente das mãos do rei Felipe VI. É de Joan Margarit a célebre frase “Escrever um poema é muito mais difícil que morrer”.
2020: Francisco Brines (1932-2021): poeta espanhol de origem valenciana, começou a estudar Direito na cidade natal e prosseguiu em Salamanca. Mais tarde cursou Filosofia e Letras em Madri. Pertence à segunda geração dos poetas de pós-guerra, tendo publicado seu primeiro livro em 1960. Foi professor de Literatura Espanhola nas universidades inglesas de Cambridge e Oxford. Além do Prêmio Cervantes, foi contemplado com o Prêmio Nacional das Letras Espanholas (1999) e com o Prêmio Rainha Sofia de Poesia Iberoamericana. Da mesma forma que seu antecessor no Prêmio Cervantes (Joan Margarit), Brines recebeu o laurel apenas em 2021, como consequência da pandemia. Só que, desta feita, o rei Felipe VI se deslocou até a residência de Brines para lhe entregar o galardão, o que ocorreu apenas nove dias antes da morte do laureado.
Frase para sobremesa: Deve-se demonstrar compaixão – o que torna as pessoas felizes – mas abster-se de tê-la (Friederich Nietzsche, 1844-1900).
Até a próxima!