Lista dos melhores livros de todos os tempos (www.thegreatestbooks.org)
136. A epopeia de Gilgamesh (Anônimo)
O livro consiste em um poema épico mesopotâmico, escrito pelos sumérios provavelmente no período de 2150 a 1400 a.C., portanto antecedendo a Ilíada e a Odisseia em cerca de 1.500 anos. Desta forma é considerada a peça mais antiga da literatura mundial. Na verdade, não se trata de uma única obra, mas de fragmentos de textos de autores anônimos, que foram compilados por especialistas e tradutores. Os poemas eram escritos, em caracteres cuneiformes, sobre tabuinhas de argila, no idioma acádio, que é uma língua extinta semítica falada pelos assírios e babilônios na Antiga Mesopotâmia. A versão acadiana desse épico foi descoberta em 1849 em Nínive (atual Iraque) nas ruínas da biblioteca de Assurbanipal.
O poema, escrito em 11 tábuas (ou tabuinhas, como é nome dado pelos arqueólogos) relata a busca do rei Gilgamesh pelo sentido da vida. Após a morte de Enkidu, seu melhor amigo, ele parte à procura da figura divina de Utnapishtim para receber o dom da vida eterna. Gilgamesh, que, historicamente, é considerado como o quinto rei de Uruk, tendo governado no século XXVI a. C., tem a origem mitológica de ser filho do rei-sacerdote Lugalbanda e da deusa Ninsun, sendo, portanto, um semideus. Nesta monumental obra literária existem indicações sobre fatos e eventos que seriam adotados posteriormente por outras religiões, como o mito da criação do Homem a partir da argila, o Dilúvio e a construção de uma Arca para salvar seres humanos e animais.
A tradução indireta para a primeira publicação brasileira, com os versos em prosa, foi feita por Carlos Daudt de Oliveira, com edições da Martins Fontes em 1992, 2001 e 2011. Contudo, a primeira tradução feita diretamente do acádio foi realizada por Jacyntho Lins Brandão (Editora Autêntica, 2017), professor emérito de Língua e Literatura Grega da UFMG, levando o belo título de “Gilgamesh – Ele que o abismo viu”, frase inicial do primeiro verso, como é costume nos épicos clássicos.
Línguas da Papua-Nova Guiné (5)
Língua Enga
A língua é falada por cerca de 250.000 pessoas na província de Enga, situada nas terras altas (Highlands) da Papua-Nova Guiné. Imaginem que este idioma, por si só pouco estudado, possui uma variante pidgin (denominada Arafundi),ou seja, foi construída uma forma de comunicação verbal que pudesse reunir aqueles habitantes que não falam Enga. Essa etnia, assim como várias outras no país, tem o costume de separar as moradias de homens e de mulheres.
Pelo fato de o idioma não possuir conjunções (como “e”, “porque”) nem tampouco verbos auxiliares (a exemplo de “poder”, “querer”) e muito menos preposições, toda a construção da frase se baseia nos verbos, que apresentam uma alta complexidade. Eles sempre ocupam a posição final na sentença. Todas as variações de tempo, número e gênero são formadas pela adição de sufixos. Ao contrário da maioria das línguas da Ásia e da Oceania, o Enga possui artigos definidos e indefinidos. Os pronomes pessoais são: i, émba, baá, nálimba (“nós” inclusivo) /nyalambo (“nós” exclusivo), nyakáma, dúpa.
Língua Huli
Língua falada por 150 mil pessoas ao sul da Província de Enga, mencionada no tópico anterior. Seu vocabulário não tem as seguintes consoantes: C, F, J, Q, V, Z. A letra “R” tem a particularidade de só aparecer no meio das palavras (nunca no início ou no fim). A maioria dos vocábulos é monossilábico ou dissilábico, como, por exemplo, iba (água), wali (mulher), ni (sol), aya (mãe), aba (pai), ege (pedra). Números de 1 a 10: mbira, kira, tebira, maria (quantas mulheres no mundo não sabem que seu belo nome também significa “quatro” em huli), duria, waragaria, karia, halira, dira, pira. A nomenclatura dos números tem uma base pentadecimal (15). Assim, 16 é 15 +1, 17 é 15 +2 e 30 é 15 x 2. Mas a característica soberana dessa língua, algo realmente deslumbrante, é que os trabalhadores na agricultura, ou quando estão caçando, utilizam um outro idioma, denominado tayenda, uma espécie de língua substituta, com a mesma gramática, mas vocabulário distinto do huli. O objetivo desta incrível transmutação é bastante pertinente: afastar os maus espíritos.
Língua Melpa
Também falada nas Terras Altas do país, possui aproximadamente 100 mil usuários. Os números de 1 a 10 são, certamente, os mais complexos do mundo. Tudo começa bem de 1 a 4, mas aí a situação se complica. Vejamos: tenda, ragi, ragitina, tembokak, pomp tsi gudl (“1 após 4”), pomp ragl gudl (“2 após 4”), pomp ragltika gudl (“3 após 4”), engak, pomp tsi pip (“1 após 8”), pomp ragl pip. Algumas expressões, para que a gente possa ir se acostumando ao idioma: Makaelma kai (bom dia), Kanda o (até logo), Angke mam (obrigado).
Língua Kuman
Língua falada na Província de Chimbu, também localizada nas Terras Altas, por cerca de 100 mil pessoas. Algumas palavras: nigl (água), yagl (homem), ambu (mulher), endi (árvore), ande (sol). Expressões: Tanggima kana wagai (bom dia), Wakai weh (obrigado) e, para finalizar, uma das modalidades mais longas e sonoras para “eu te amo”: Na ene wakai yene kaninga.
Vencedores do Prêmio Cervantes de Literatura (22)
2017: Sergio Ramirez (1942-): escritor, advogado, jornalista e político nicaraguense, tendo sido vice-presidente do país de 1986 a 90, durante o mandato de Daniel Ortega. Posteriormente rompeu com a Frente Sandinista de Libertação, passando a ser adversário político de Ortega, que foi reeleito sucessivamente em 2006, 11, 16 e 21. Sergio recebeu em 2000 o Prêmio Casa de las Américas. Sua obra mais prestigiada é o romance “Margarida, está lindo o mar”, lançado em 1998.
2018: Ida Vitale (1923-): a centenária poeta, ensaista e tradutora uruguaia é descendente de imigrantes italianos. Os críticos literários a designam como sendo membro da famosa Geração de 45. Durante o período da ditadura militar no Uruguai (1973-85) Ida exilou-se no México, retornou ao Uruguai por dois anos e voltou a se exilar, desta vez nos EUA, onde viveu por 30 anos. Quando ficou viúva (2016) regressou em definitivo ao seu país. Foi contemplada com o Prêmio Rainha Sofia de Poesia Iberoamericana em 2015.
Frase para sobremesa: Toma cuidado com o homem de um só livro (São Tomás de Aquino, 1221-74).
Bom descanso!