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Lista dos melhores livros de todos os tempos (www.thegreatestbooks.org)

135. O conde de Monte Cristo (Le Comte de Monte-Cristo), Alexandre Dumas (1802-70)

Este consagrado romance de aventuras foi publicado inicialmente de 1844 a 46 na forma de folhetim, conforme era comum na época. A obra relata a vida de Edmond Dantès, um jovem marinheiro que é condenado injustamente sob a falsa acusação de espionagem. Ele fica 14 anos preso no Castelo de If, uma penitenciária situada na ilha de mesmo nome, localizada próxima à costa de Marselha. Seu companheiro de cela é um abade, que acaba revelando a existência de um tesouro enterrado na ilha de Monte Cristo, localizada na costa italiana do Mar Tirreno. Edmond consegue fugir da prisão e recolher o tesouro escondido. Depois de se tornar rico, ele inicia um longo processo de vingança contra seus inimigos.

No livro estão presentes todos os ingredientes básicos que caracterizam uma notável aventura. A inspiração do nome Monte Cristo veio de uma viagem feita pelo autor em direção ao litoral italiano, quando navegou próximo a essa ilha. O enredo foi adaptado para dezenas de novelas de televisão e peças de teatro, isso sem contar o grande número de filmes, que ultrapassam uma centena. Como seria despropositado citar essa longa lista de películas, deixamos registrada aqui a mais conhecida comercialmente, lançada em 2002, dirigida por Kevin Reynolds (1952-) e tendo Jim Caviezel no papel principal (1968-).   

É conveniente esclarecermos quem foi Alexandre Dumas, tanto o pai quanto o filho homônimo. De início atentem para a pronúncia do sobrenome: Dumá. Alguns leitores mais sagazes poderão perguntar por que Marguerite Duras (1914-96), uma das mais conhecidas romancistas francesas, leva a pronúncia de Duras. Ora, são as peripécias dos idiomas. 

Alexandre Dumas era neto de um general francês, nascido no Haiti, e de uma escrava negra. Escreveu obras memoráveis, sendo considerado o autor mais lido da França. Dentre outros romances de aventura, principalmente de cunho histórico, destacam-se “Os Três Mosqueteiros” e “A Tulipa Negra”. Com 27 anos de idade produziu sua primeira peça de teatro. Levava um estilo de vida perdulário, gastando muito mais do que recebia. Para fugir dos credores passou dois anos na Rússia, onde era bastante conhecido. Teve três filhos fora do casamento, sendo que um deles, de mesmo nome, é designado como Alexandre Dumas Filho (1824-95). Ele também foi um escritor, sendo “A Dama das Camélias” sua obra de maior sucesso. Em 2002 o corpo de Alexandre Dumas, o Pai, foi exumado e transportado, em procissão solene – sob o comando do então presidente Jacques Chirac – até o Panteão de Paris, onde se encontra enterrado ao lado de outros gigantes da literatura francesa. Conforme as palavras de Chirac, a França tentava reparar as discriminações racistas sofridas por Dumas devido a seus traços negroides.

Existe um grande número de traduções e adaptações da obra-prima de Dumas. Citamos a três mais recentes: Herculano Villas-Boas para e Editora Martin Claret em 2017, André Telles para a Zahar em 2020 e Frank de Oliveira para a Principis em 2022.   

Línguas da Papua-Nova Guiné (4)

Estima-se em 150 mil o número de falantes de Hiri Motu, especialmente na região do entorno da capital Port Moresby. Na verdade, existem dois dialetos do Hiri Motu: o “austronésio”, que se aproxima mais do Motu, considerado como um dialeto de prestígio, e o “papuano”, que, curiosamente, veio a ser a linguagem padrão para publicações. No Hiri Motu, ao contrário do Motu, não existem tempos verbais, aspectos, modos, pessoas e número. Ora, já vimos que ela é uma língua simplificada. Como o vocabulário do Hiri Motu é muito mais reduzido, ocorre que determinadas palavras tiveram de sofrer ampliações nos seus significados. A ordem das palavras tanto pode ser S-O-V ou O-S-V.  Mas aí começam alguns problemas. Os idiomas que oferecem flexibilidade na ordem dos vocábulos na frase possuem marcações muito claras de sujeito e objeto. O que não era o caso do Hiri Motu. A frase Inai mero badana ia alaia tanto pode significar “o rapaz matou um grande porco” quanto “um grande porco matou o rapaz”. Para dirimir dúvidas como essa, foi criada a partícula ese, que deve ser colocada após o sujeito da frase. Portanto, no sentido normal, a frase ficaria: Inai mero ese badana ia alaia. Mas, atenção: o ese só pode ser usado quando existe uma real ambiguidade. 

Em Hiri Motu não existem preposições, apenas posposições. A mais frequente é ai, que pode significar “dentro”, “sobre” ou “em”. Assim: pata ai (sobre a mesa). Os pronomes pessoais são: lau, oi, ia (ele ou ela), ita (“nós” inclusivo) / ai (“nós” exclusivo), umui, idia. Não há o verbo “ter” no sentido de posse. Se quero expressar “eu tenho um cão”, a frase é Lau na mai egu sisia (eu com meu cão).

Números de 1 a 10: ta, rua, toi, hani, ima, tauratoi, hitu, taurahani, taurahani-ta, gwauta. Na prática, sempre se seguindo a lei do menor esforço, para os números acima de 5 são usados os termos em inglês. 

Algumas expressões: Bom dia (Daba namona), Até logo (Ba mahuta; é a tradução de “durma bem”, mas é usado em qualquer hora do dia ou da noite), Por favor (Mani ou Pilisi), Obrigado (embora não haja essa palavra em Motu, em Hiri Motu é Tanikiu).

Línguas da família Trans-New Guinea

Entramos aqui em um terreno pantanoso e ainda pouco conhecido. Muitos linguistas não concordam com a existência dessa família, cujos idiomas se agrupam muito mais pelo posicionamento geográfico dos seus falantes do que por similaridades linguísticas. Nenhuma classificação idiomática no mundo recebeu tantas propostas de subdivisões, sobre as quais, na verdade, não existe nenhum consenso. De fato, uma terra de ninguém. Normalmente, a evidência léxica mais forte para se compor uma família é a morfologia (estudo da formação das palavras). Nas línguas da possível família TNG, sobre as quais há pouquíssima documentação, busca-se centrar os estudos na composição dos pronomes pessoais. De qualquer forma, são idiomas com características marcantes e que valem a pena ser explorados. Selecionamos aqui quatro deles, que são os mais usados (continua).

Vencedores do Prêmio Cervantes de Literatura (21)

2015: Fernando del Paso (1935-2018): escritor, pintor e diplomata mexicano, graduado em Economia e Biologia pela UNAM (Universidade Autônoma do México). O primeiro livro, uma coletânea de sonetos, foi publicado em 1958. Fernando morou 14 anos em Londres, trabalhando na BBC, atuando em seguida como cônsul do México em Paris. Sua obra mais conhecida é o romance histórico Noticias del Imperio, com mais de mil páginas.

2016: Eduardo Mendoza (1943-): romancista espanhol da corrente literária do Pós-Modernismo. Formado em Direito em 1965, cursou Sociologia em Londres (1966-7), tornando-se, em seguida, tradutor da ONU com residência em Nova Iorque. Essa atividade foi realizada também em organismos internacionais de diversos países. Seu primeiro romance (La verdad sobre el caso Savolta), lançado em 1975, foi aclamado pela crítica devido ao sólido panorama das lutas sindicais do século XX na Espanha. Um ano antes de receber o Prêmio Cervantes, Mendoza foi contemplado com o Prêmio Franz Kafka, destinado a contribuições literárias de caráter humanista. 

Frase para sobremesa: É mais seguro ser temido do que amado (Nicolau Maquiavel, 1469-1527).

Até a próxima!

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