Post-239

Lista dos melhores livros de todos os tempos (www.thegreatestbooks.org)

134. Doutor Fausto (Doktor Faustus), Thomas Mann (1875-1955)

Temos aqui mais uma obra literária sobre a conhecida história de Fausto, aquele que entrega sua alma ao diabo com o intuito de receber benefícios em vida. Desta feita ela foi escrita por Thomas Mann, um dos maiores romancistas do planeta e vencedor do Nobel de Literatura em 1929. Já apresentamos um resumo da biografia de Mann no Post 18, assim como a apreciação de uma de suas obras máximas, “A montanha mágica” (Post 154). O longo poema “Fausto”, escrito por Goethe, também já foi comentado no Post 202. O extenso livro de Thomas Mann – assim como o são todas as escritas sobre Fausto – foi sua última grande obra em vida, um inegável marco na literatura mundial.

O romance, lançado em 1947, descreve a vida do compositor alemão Adrian Leverkühn, a qual é contada por um amigo de infância. Mann demorou quatro anos para escrever o livro, que leva a vida de Fausto para a primeira metade do século XX, particularmente na época de ascensão do Nazismo. O autor, um nacionalista exilado, indica, metaforicamente, que a Alemanha trava um pacto com o demônio, o qual representa uma renúncia do país à sua própria humanidade. Na obra, Leverkühn negocia a alma em troca de 24 anos de uma extraordinária criatividade musical. O diabo, apresentado na figura de Mefistófeles – que é um personagem da Idade Média conhecido como uma das encarnações do mal – dirige a Leverkühn a célebre frase; “que apenas tu me possas ver porque estás louco, não significa que eu realmente não exista”.

O livro possui uma redação impecável, sombria na medida da necessidade e vibrante na descrição das alucinações do personagem principal.  De fato, uma obra-prima. O leitor brasileiro conta com a magnífica tradução de Herbert Caro (1906-91), um alemão que emigrou para o Brasil com 29 anos de idade para fugir das atrocidades do Nazismo. Ele, que residia em Porto Alegre e tinha um domínio absoluto do idioma português, naturalizou-se brasileiro, passando a fazer parte da equipe de tradutores da Editora Globo. Ficou sob sua responsabilidade a tradução de mais três obras de Mann, além de diversos outros escritores alemães. O livro foi lançado também por editoras variadas, a exemplo da Nova Fronteira e da Companhia das Letras. 

Línguas da Papua-Nova Guiné (3)

Algo inusitado é o baixíssimo número de preposições em Tok Pisin: apenas duas. A primeira é bilong, que indica posse (“de”) e “para”. A segunda preposição, que se aplica a todos os outros usos, é long. Obviamente, as frases mais informativas, que contenham a necessidade do uso de várias preposições, se constituem em uma curiosa presença de diversos termos long. A transitividade dos verbos (formação do objeto direto) é dada pelo sufixo im. Por exemplo, a frase Mi laikim bia (que todos nós entendemos que significa “eu gosto de cerveja”) apresenta o sufixo no verbo laik (gostar). Os verbos não são conjugados, o que se constitui em enorme facilitador para o aprendizado do idioma. De maneira muito objetiva, os tempos verbais são indicados por aposições, em palavras separadas: bai (indica futuro), bin (indica passado, do inglês “been”), stap (indica presente, do inglês “stop”) e pinis (indica uma ação completa, do inglês “finish”).

Existem quatro socialetos em Tok Pisin (já sabemos que eles significam variações fonéticas e gramaticais conforme a classe social dos falantes): Tok Bus (usados em áreas remotas do país), Tok Bilong Asples (uso em aldeias e zonas rurais), Tok Skul (língua urbana, aquela usada nas escolas) e Tok Masta (inglês simplificado, outrora usado pelos colonizadores para se comunicar com a população). Seguindo-se a característica das línguas malaio-polinésias de possuírem duas formas para o pronome pessoal “nós”, a inclusiva e a exclusiva – já comentadas em vários outros Posts – o Tok Pisin vai ainda um pouco além, separando os grupos de duas pessoas (dual) e de três pessoas (trial). Segue-se, para não complicar a vida dos leitores, a denominação apenas para o “nós” exclusivo (aquele que exclui o interlocutor): mitupela (dual: ele/ela e eu), mitripele (trial: duas pessoas e eu), mipela (todos, menos o interlocutor, e eu).

Dias da semana: mande, tunde, trinde, fonde, fraide, sarere, sande.

Números de 1 a 10: wan, tu, tri, foa, faiv, siks, seven, eit, nain, ten.

Algumas expressões: Olá (Hai/Halo/Gude), Bom dia (Moning), Até logo (Gutbai), Não entendo (Mi no harim tok bilong yu), Desculpe (Mi sory), Por favor (Plis), Eu te amo (Mi lavim yu), Obrigado (Tenkyu).

Língua Hiri Motu

A complexidade de línguas na Papua-Nova Guiné não é devida unicamente à diversidade na origem dos idiomas, mas também ao seu intrincado processo de formação, como é o caso de Hiri Motu. Ele é derivado do Motu, uma língua da família malaio-polinésia ainda falada por cerca de 40.000 pessoas, principalmente na costa sul do país. Face à necessidade de uma simplificação do idioma para que ele abrangesse um maior número de usuários, principalmente para fins comerciais, foi desenvolvida uma língua franca que recebeu a denominação de Hiri Motu e que atualmente, pasmem-se, é uma das três línguas oficiais do país. Mas as excentricidades não param aí: como as forças policiais, espalhadas por diversas regiões de um país que abriga mais de 850 idiomas, tinham a necessidade do uso de um vocabulário básico para facilidade de comunicação, foi elaborada uma versão simplificada do Motu, a qual recebeu o estranhíssimo nome de Police Motu. Esta língua pidgin foi evoluindo, consolidando-se, até que passou a ser um real idioma de contato dentro do país. Como não fica bem uma língua ter o atributo de “policial” (onde já se viu isso?), resolveu-se, na década de 1970, alterar seu nome para Hiri Motu. Portanto, na Papua-Nova Guiné coexistem dois idiomas (Motu e Hiri Motu), sendo o segundo filho do primeiro. Só que ambos, embora semelhantes, não são mutuamente inteligíveis. O Hiri Motu é um dos pouquíssimos casos de língua pidgin estável e não baseada em um idioma europeu.

Vencedores do Prêmio Cervantes de Literatura (20)

2013: Elena Poniatowska (1932-): escritora e jornalista mexicana, nascida na França em berço aristocrático franco-polaco. Seu nome de batismo é Hélène Elizabeth Louise Amélie Paula Dores Poniatowska Amor, que bem poderia ser a estrofe de um poema pós-modernista, como era seu estilo de redação. Chegou ao México com 10 anos de idade, já que seus pais emigraram da França em decorrência da Segunda Guerra Mundial. Iniciou sua carreira de jornalista em 1953, quando publicava, nos primeiros anos, uma entrevista por dia. Escreveu romances e contos de reconhecimento internacional.

2014: Juan Goytisolo (1931-2017): ele é considerado como o maior escritor espanhol do início do século XXI. O pai foi preso e a mãe morta durante a Guerra Civil Espanhola. Seu primeiro livro foi lançado em 1954, sendo que, na sua vasta carreira literária, existem diversas obras de fundo autobiográfico. Foi contemplado com o Prêmio Juan Rulfo em 2004 e com o Prêmio Nacional das Letras Espanholas em 2008. Goytisolo residiu em Marrocos desde 1997 até sua morte, ocorrida vinte anos depois. Em 2015 ele entregou um manuscrito inédito a uma editora espanhola com a orientação de que seja publicado dez anos após sua morte. Aguardemos. 

Frase para sobremesa: O amor é como uma corruíra no jardim. De repente ela canta e muda toda a paisagem (Dalton Trevisan, 1925-).

Bom descanso!

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