Post-237

Lista dos melhores livros de todos os tempos (www.thegreatestbooks.org)

132. Todos os homens do rei (All the King’s men), Robert Penn Warren (1905-89)

O romance, lançado em 1946, descreve a trajetória política do personagem Willie Stark, um governador populista no Sul dos Estados Unidos durante a época da Depressão Americana (década de 1930). Na obra são apresentadas as alianças escusas, os episódios de corrupção e as chantagens que provocaram a ascensão do político e, algum tempo depois, a sua inapelável queda. O enredo é claramente baseado na vida de Huey P. Long (1893-1935), que foi governador de Louisiana (1928-32) e senador pelo Partido Democrata (1932-35), tendo sido assassinado por arma de fogo em 1935. A história, narrada por um repórter assistente de Stark, se constitui em um dos melhores exemplos da “arte de governar” no âmbito da literatura. O livro ganhou o Prêmio Pullitzer de Ficção em 1947.

O próprio autor adaptou a obra para uma peça de teatro. Em 1981 foi composta uma ópera baseada no livro. Mas a grande repercussão no meio artístico é devida às duas adaptações cinematográficas, ambas com o título brasileiro de “A grande ilusão”. A primeira, vencedora do Oscar de Melhor Filme em 1949, foi dirigida por Robert Rossen (1908-66), com atuação de Broderick Crawford (1911-86). A segunda versão, rodada em 2006, teve a direção de Steven Zaillian (1953-) e contou com a presença do premiado ator Sean Penn (1960-). Naturalmente aqueles leitores mais dedicados à sétima arte se sentem um pouco incomodados com o nome dado aos filmes em português, idêntico àquele da obra-prima de Jean Renoir (1894-1979), “La grande illusion”, filme de 1937, com o ator Jean Gabin (1904-76).    

Robert Penn Warren foi um conhecido poeta, romancista e crítico literário norte-americano. Ele ganhou dois Prêmios Pullitzer de Poesia (1958, 79), sendo a única pessoa a receber o Pullitzer de Ficção e de Romance. Na adolescência, perdeu um olho devido a um acidente. Sua carreira universitária foi brilhante: entrou com 16 anos na Universidade de Vanderbilt, tornou-se professor assistente na Universidade da Califórnia em Berkeley e recebeu bolsas de pós-graduação para a Universidade de Yale e de Oxford, esta última na Inglaterra. Escreveu 12 romances, 21 livros de poesia e três livros infantis, além de diversos ensaios. Faleceu aos 84 anos em decorrência de um câncer de próstata. A tradução brasileira do livro, feita pela Editora Record (2007), ficou a cargo de Mônica Reis.       

Línguas da Papua-Nova Guiné (1)

Iniciaremos aqui um vasto capítulo dedicado às línguas faladas no país Papua-Nova Guiné, localizado na Oceania, o qual se constitui no maior celeiro mundial de idiomas, um verdadeiro caldeirão linguístico. Estima-se que mais de 850 línguas são usadas no país, muitas de origem desconhecida, algumas de base malaio-polinésia e outras formadas por fascinantes processos de criação de novas expressões a partir dos idiomas deixados pelos colonizadores. Para entendermos esta dinâmica linguística, é conveniente apresentarmos um pouco a história deste país pouco conhecido.

Avalia-se que a Ilha de Nova Guiné (a terceira maior do mundo, depois da Austrália e da Groenlândia) começou a ser habitada há cerca de trinta mil anos por melanésios provenientes das ilhas vizinhas. No século XVI portugueses e espanhóis chegaram à região, seguidos pelos holandeses no século seguinte. No século XIX a ilha foi repartida entre alemães na parte setentrional, ingleses na meridional e holandeses na ocidental. Em 1906 a administração da parte britânica passou para as mãos da Austrália. Durante a Segunda Guerra Mundial foi a vez de os japoneses ocuparem a ilha. Após o conflito, voltou-se à situação anterior, com a independência só sendo adquirida em 1975. Em algum minuto de folga deem uma olhada no mapa da Ilha de Nova Guiné. Atualmente ela está dividida em dois blocos, com a parte ocidental pertencendo à Indonésia e a parte oriental constituindo o país Papua-Nova Guiné, um paraíso para filólogos e antropólogos.

A origem dos nomes geográficos é controversa, já que existem diversas possibilidades etimológicas. Papua parece ser uma palavra do idioma malaio, com o significado de “encaracolado” (em alusão aos cabelos crespos dos habitantes) enquanto Guiné pode ter vindo da língua berbere (Norte da África), com o sentido de “mudo” (ora, os russos também usam a palavra mudo para se referirem aos alemães). Como os colonizadores ingleses viram semelhanças fisionômicas dos aborígenes com a população da Guiné africana, resolveram designar as terras no Pacífico como “Nova Guiné”. A propósito, até cerca de 1930 eram encontradas etnias locais que ainda não conheciam o uso da roda. 

Para desvencilharmos esse complexo topônimo de Guiné, vamos lembrar:

  • Papua-Nova Guiné (Oceania), capital Port Moresby, nosso foco atual do estudo;
  • República da Guiné (África), capital Conacri, antiga colônia francesa, por vezes também designada como Guiné-Conacri;
  • República da Guiné-Bissau (África), capital Bissau, antiga colônia portuguesa;
  • República da Guiné Equatorial (África), capital Malabo, descoberta pelos portugueses e colonizada pelos espanhóis, independente desde 1968. Suas línguas oficiais são o espanhol, o francês e o português.

Não nos esqueçamos da antiga moeda inglesa “guinéu”, usada até 1813, cujo nome deriva da Costa da Guiné (nome dado à região atual dos países Libéria, Costa do Marfim, Gana, Togo, Benim, Nigéria, Camarões, Guiné Equatorial e Gabão), de onde vinha o ouro para a fabricação do dinheiro. Ficou claro?

Reunimos em seguida (próximo Post) informações sobre as principais características dos idiomas utilizados na Papua-Nova Guiné.

Vencedores do Prêmio Cervantes de Literatura (18)

2009: José Emilio Pacheco (1939-2014): autor mexicano, muito popular no país, que escreveu praticamente em todos os gêneros da literatura: 14 livros de poema, quatro coletâneas de contos, dois romances, além de diversos ensaios e traduções. Filho de pais camponeses, formou-se em Direito e Filosofia pela Universidade Autônoma do México (UNAM). Sua obra mais conhecida é o romance Las batallas en el desierto. Nenhum livro seu foi ainda editado no Brasil. Nesse mesmo ano de 2009 ele recebeu ainda o Prêmio Rainha Sofia de Poesia Iberoamericana.

2010: Ana Maria Matute (1925-2014): autora espanhola que se dedicava à escrita de romances, contos e literatura infantil. É considerada como uma das mais destacadas romancistas do período posguerra (época após a Guerra Civil Espanhola, 1936-39). Suas obras, várias delas proibidas durante a ditadura de Franco, abordam temas sensíveis como violência, alienação e miséria. Na qualidade de professora universitária, atuou em diversas universidades estrangeiras. Em 2007 foi galardoada com o Prêmio Nacional das Letras Espanholas.   

Frase para sobremesa: A beleza não é uma qualidade inerente às coisas. Ela existe apenas na mente de quem as contempla (David Hume, 1711-76).

Bom descanso!

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *