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Lista dos melhores livros de todos os tempos (www.thegreatestbooks.org)

130. Medo e delírio em Las Vegas (Fear and Loathing in Las Vegas), Hunter S. Thompson (1937-2005)

O título original completo da obra é Fear and Loathing in Las Vegas: a savage journey to the heart of the American Dream. Tal observação é pertinente pois Hunter escreveu outros livros cujos títulos também se iniciavam com Fear and Loathing in Las Vegas. Este romance relata uma viagem de carro de fim de semana feita pelo personagem principal e seu advogado, a qual se inicia em Los Angeles e tem como destino Las Vegas. Durante o percurso as duas pessoas (e, posteriormente, um caroneiro) mergulham no mundo das drogas e de alucinógenos, enquanto pregam ideais libertários e louvam as iniciativas de contracultura. O livro foi publicado inicialmente em 1971, em duas séries, pela revista norte-americana Rolling Stone. No ano seguinte a obra, com algumas mudanças, foi publicada em um único volume. O enredo solto, sem as delimitações que costumam agradar ao leitor, fez com que crítica e público não apreciassem um livro tão controverso. No entanto, com o passar do tempo a obra foi adquirindo um significado mais representativo, se convertendo posteriormente em um sucesso de vendas. Considera-se que este livro seja um típico caso de roman à clef (“romance a chave”, em francês), no qual eventos reais são cobertos por um véu de ficção e os personagens fictícios são associados a pessoas reais. É como se o leitor tivesse uma “chave” para desvendar as correspondências entre personagens e pessoas existentes.

Hunter iniciou sua vida profissional como jornalista esportivo, evoluindo em seguida para repórter político. Em 1962 ele viveu alguns meses no Rio de Janeiro como correspondente local do jornal norte-americano National Observer (será que os garçons que lhe serviam chope no calçadão de Copacabana imaginavam que aquela exótica figura se transformaria em conhecido escritor?). Após o sucesso do livro, a fama de Hunter começou a decair, principalmente pelo seu comportamento disperso, não cumprindo contratos com a revista que o projetou, se perdendo cada vez mais no consumo de drogas e tendo que se submeter a constrangedores processos de assédio sexual. Ao final da vida, tomado pela depressão, ele se suicidou com uma arma de fogo.     

A obra teve uma conhecida adaptação cinematográfica (“Medo e Delírio”) sob direção de Terry Gilliam (1940-) e tendo Johnny Depp (1963-) e Benicio del Toro (1967-) nos papéis principais. A tradução brasileira, com o título de “Medo e Delírio em Las Vegas”, foi feita por Daniel Pellizzari para a L&PM Editores (2010, 18). 

A língua malgaxe (1)

O idioma oficial de Madagascar é falado por cerca de 25 milhões de pessoas neste país e em regiões das ilhas vizinhas de Comores, Reunião e Mayotte. A denominação original da língua é malagasy. Contudo, como as letras “a” e “o” são mudas em sílabas não acentuadas, a pronúncia passa a ser malgashi, que os colonizadores franceses adaptaram para “malgaxe”. A língua, de forma surpreendente, pertence à família malaio-polinésia, embora Madagascar esteja situado a mais de 8.000 km das Filipinas e da Indonésia, de onde partiram os navegadores em torno do século V. Eles utilizavam as canoas polinésias (tendo um segundo casco como estabilizador), com as quais cobriam distâncias marítimas de mais de 25.000 km, atingindo desde Madagascar até o Havaí ou a Ilha da Páscoa, deixando no percurso a semente de línguas malaio-polinésias. Obviamente, o malgaxe é o idioma mais ocidental nesta família linguística. Avalia-se que, até o século I a ilha de Madagascar era desabitada.  Aproximadamente no ano 1.000 chegaram à ilha comerciantes árabes, migrantes africanos de língua banto e mercadores tâmeis, vindos do atual Sri Lanka. Em 1506 vieram os portugueses, que não se interessaram em ocupar a ilha devido à ausência de ouro, marfim e especiarias. O Reino de Madagascar se estendeu de 1540 a 1897. Merece destaque um rei que é considerado como o pai da nação malgaxe, tendo governado de 1787 a 1810 e unificado os pequenos reinos que viviam há 70 anos em guerra civil. Ele atendia pelo singelo nome de Andrianampoinimerina. Madagascar tornou-se colônia francesa de 1897 a 1960, quando então o país adquiriu a independência. O idioma francês ainda é umas das línguas oficiais do país, juntamente com o malgaxe.   

A ilha de Madagascar se separou da placa tectônica africana há 160 milhões de anos. Este longuíssimo isolamento fez com que o país se transformasse no maior hotspot (regiões de elevada diversidade biológica) do planeta. Mais de 80% das plantas e animais da ilha são endêmicas, ou seja, só existem lá. Uma das possíveis origens do nome de Madagascar é atribuída ao aventureiro veneziano Marco Polo (1254-1324), que ali esteve em 1298 e constatou que os aborígenes designavam a ilha pelo nome de Madagascar (“o país inteiro”), como era conhecido o continente africano, ou seja, os moradores locais não sabiam que habitavam uma ilha.   

O idioma malgaxe possui dois grupos de dialetos, os quais englobam dezenas de variantes. Eles são conhecidos como dialeto oriental (que inclui a região da capital do país e, portanto, passou a ser o dialeto padrão) e ocidental. A capital de Madagascar é Antananarivo (os habitantes do país, cobertos de razão, a abreviam para Taná). No nome da capital está embutido o vocábulo tanàna (cidade) que possui o diacrítico (acento grave) para diferenciá-lo de tanana (mão). Embora a língua malgaxe possua uma longa série de sinais diacríticos, eles, na prática só são utilizados para efeito de diferenciação de palavras. O idioma era escrito no alfabeto sorabe, adaptado do árabe, até 1823, quando se iniciou a utilização do alfabeto latino.

Vencedores do Prêmio Cervantes de Literatura (16)

2005: Sergio Pitol Demeneghi (1933-2018): foi um novelista, tradutor e diplomata mexicano. Sua obra mais conhecida é o romance “Vida conjugal”, uma aclamada sátira social. Pitol contraiu malária na infância, permanecendo acamado dos 4 aos 12 anos. Estudou Direito e Literatura na UNAM (Universidad Autónoma de México), onde também foi professor. Como adido cultural do México serviu em nove países, tendo sido ainda embaixador na Tchecoslováquia. Ganhou também o Prêmio Juan Rulfo, dedicado a escritores de grande expressão em alguma das línguas românicas.    

2006: Antonio Gamoneda (1931-): poeta espanhol, também laureado com o Prêmio Nacional de Literatura (1988), Prêmio Europeu de Literatura (2005) e Prêmio Rainha Sofia de Poesia Iberoamericana (2008). Seu pai, de mesmo nome, era um poeta modernista. Como as escolas estavam fechadas devido à Guerra Civil Espanhola, o filho aprendeu a ler sozinho, apenas consultando os livros do pai. Gamoneda, cuja primeira obra foi lançada em 1960, trabalhou como empregado bancário dos 14 aos 38 anos de idade. Todos os seus livros foram sempre bem recebidos pela crítica. 

Frase para sobremesa: Entendo por razão, não a faculdade de raciocinar, que pode ser bem ou mal utilizada, mas o encadeamento das verdades, que só pode produzir verdades, pois uma verdade não pode ser contrária a outra (Wilhelm Leibnitz, 1646-1716).

Bom descanso!

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