Post-234

Lista dos melhores livros de todos os tempos (www.thegreatestbooks.org)

129. O carnê dourado (The golden notebook), Doris Lessing (1919-2013)

Já apresentamos no Post 92 um sumário da biografia da escritora britânica Doris Lessing, ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura em 2007, aos 87 anos, se tornando a pessoa mais velha a receber o laurel. Nascida no Irã, onde seu pai trabalhava em um banco inglês, ela mudou-se na infância para a Rodésia do Sul (atual Zimbábue), separou-se duas vezes, teve três filhos e partiu para a Inglaterra, lá iniciando sua carreira literária. Suas obras são marcadas pela firme defesa das posturas femininas. Na redação de seus livros ela seguia as recomendações para se evitar as discriminações contra as mulheres, fenômeno conhecido como sexismo. Por exemplo, era evitado o uso de palavras em inglês com o afixo man. Assim, mankind deveria ser substituído por humanity e um fireman se transformaria em firefighter. Nas formas associadas à terceira pessoa do singular, o he daria lugar ao chamado they singular. Vejam o exemplo: Any student who failed their exam should contact the teacher. Além do Nobel, Doris ganhou o James Tait Black Memorial Prize de 1994 e o Prêmio Príncipe de Astúrias de Letras em 2001.

O livro “O carnê dourado”, publicado em 1962, é sua obra mais conhecida e premiada. Ela relata a história de uma escritora que revê seus quatro volumes de diário: o de capa preta, onde é contada a experiência de vida no continente africano; o vermelho, que abrange a época em que ela era membro do Partido Comunista Britânico; o amarelo, que aborda o doloroso término de um relacionamento e o azul, que contém os episódios mais marcantes de sua vida emocional. Agora a escritora pretende reunir os aspectos mais relevantes em um quinto volume, o último, que terá a cor dourada. Trata-se de uma produção literária longa, com mais de seiscentas páginas, a qual exige certa atenção do leitor, dado que o relato não segue uma ordem cronológica.

Esta obra de Doris, que destaca historicamente o desenvolvimento do feminismo e da revolução sexual na Inglaterra, apresenta um claro componente autobiográfico. Alguns críticos consideram esse romance como sendo uma “ficção do espaço interior”, na qual é evidenciado o colapso mental e social dos principais personagens.   

A tradução brasileira, que às vezes é apresentada em dois volumes, foi realizada pela escritora Sônia Coutinho, com lançamento da Editora Record em 1972. Outras editoras, dentre elas a Abril Cultural, também publicaram a mesma tradução.   

A língua palauense

A língua palauense (ou idioma palauano) é falada no arquipélago de Palau, localizado no Oceano Pacífico, a leste das Filipinas. O país é designado como Belau no seu idioma nativo. A nação Palau, com 23.000 habitantes e área de 500 km2, está dividida em 16 estados, alguns deles bem distantes da ilha principal. A capital (mas não a maior cidade) é Ngerelmud, a qual possui menos de 1.000 habitantes, na verdade, nada mais que uma grande família. Destaca-se que as águas palauenses abrigam a vida marinha mais rica do mundo. Os primeiros habitantes, vindos da Indonésia e das Filipinas, chegaram ao arquipélago de Palau há cerca de 3.000 anos. No século XVIII ele passou a pertencer ao Império Espanhol. As ilhas foram vendidas para a Alemanha em 1898, como consequência de tratados de guerra. Foram, em seguida, ocupadas pelos japoneses de 1914 a 1947, quando então, após a Segunda Guerra Mundial, ocorreu a incorporação ao Protetorado das Ilhas do Pacífico, administrado pelos EUA. Finalmente, em 1994, Palau adquiriu a soberania plena, como fruto de um Tratado de Livre Associação com os EUA, o que faz com que a moeda local seja o dólar norte-americano. Vamos ao idioma.

A língua palauense possui 5 vogais e 11 consoantes. Não, aqui não existe um erro de digitação, são apenas 11 pobres consoantes no alfabeto latino usado para representar o idioma. Vamos encontrar outras línguas malaio-polinésias que também possuem essa carência consonantal. Por outro lado, vocês hão de concordar, a sonoridade do idioma torna-se marcante, quase lembrando uma suave música. A propósito, as consoantes são: “B”, “Ch”, “D”, “G”, “K”, “L”, “M”, “N”,”R”, “S” e “T”.

Cabe destacar que, embora o palauano pertença à grande família malaio-polinésia, ele não se assemelha à maioria dos idiomas desse grupo. Curiosamente, existem dois outros idiomas, também malaio-polinésios, falados em duas pequenas ilhas, que distam 500 km da capital do país. A primeira delas é Sonsorol, que até possui bandeira própria (v. abaixo; considero como uma das mais graciosas bandeiras do planeta), cujo idioma, não mutuamente compreensível com o palauano, é usado por aproximadamente 360 pessoas. A outra pequena ilha é Hatohobei, onde a situação é ainda mais dramática: são apenas 150 falantes, os quais, seguramente, se conhecem todos pelo nome. Vocês, com admiração e inquietude, podem perguntar: “mas, ora bolas, essas línguas são idiomas e não dialetos?”. Sim, são idiomas de fato, representados pelos seus respectivos códigos no sistema ISO (International Standard Organization). Assim é o nosso mundo

O palauanoé um idioma de ordem V-S-O e característica pro drop (que alegria poder usar essas terminologias específicas, já conhecidas pelos caros visitantes do Blog). No entanto, para aqueles de leituras mais apressadas, lembramos que o elegante nome de pro drop é conferido aos idiomas, como o português, que, nas conjugações verbais, podem abandonar os pronomes pessoais (por exemplo, li em vez de eu li). O plural em palauano só existe em referência a seres humanos. Assim: chad (pessoa), rechad (pessoas).

Dias da semana: kor el ureor, ongeru el ureor, ongedei el ureor, ongeuai el ureor, ongeim el ureor, sabadong, sandei (influência da língua inglesa no nome de “domingo”).

Números de 1 a 10: tang, erung, edei, euang, eim, elolm, euid, eai, etiu, tacher. No entanto, para contagem de seres humanos, é acrescentado um “t” no início da palavra: tang (essa já tem o “t”), terung, tedei… Prezados leitores: ler as palavras em palauano é muito fácil, mas pronunciá-las é uma tarefa quase impossível, dada a extrema complexidade da fonética da língua palauense.

Algumas expressões: Olá (Alii), Bom dia (Ungil tutau; mas, atenção, a partir do meio da manhã mudamos para Ungil chodochosong), Por favor (Adang), Não entendo (Ng dial kudengei), Até logo (Mechikung), Eu te amo (A kultoir er kau), Obrigado (Sulang).

Vencedores do Prêmio Cervantes de Literatura (15)

2003: Gonzalo Rojas Pizarro (1917-2011): poeta chileno da chamada literatura de vanguarda. Estudou Direito na Universidade do Chile, passando em seguida a lecionar nas universidades de Valparaíso e Concepción. Em 1973, depois do golpe de Estado no Chile, buscou exílio na antiga Alemanha Oriental, sendo designado como professor na Universidade de Rostock. Em 1979 regressou ao Chile, mas, no ano seguinte, emigrou para os EUA, passando a ser docente nas universidades de Colúmbia e Chicago até 1994. Rojas recebeu o Prêmio Nacional de Literatura do Chile e o Prêmio Rainha Sofia de Poesia Iberoamericana, ambos no iluminado ano de 1992. 

2004: Rafael Sánchez Ferlosio (1927-2019): escritor espanhol, nascido na Itália, pertencente ao movimento do pós-modernismo. Graduado e doutorado em Filologia pela Universidade Complutense de Madri, ele é autor de mais de vinte romances, tendo recebido em 2009 o Prêmio Nacional das Letras Espanholas. Sua obra mais aclamada é o livro El Jarama, escrito em 1955, que relata, durante 16 horas, a vida de 11 amigos em um domingo às margens do rio Jarama. Os críticos consideram que este romance, pelo seu realismo inovador, inaugurou uma nova época na narrativa espanhola.

Frase para sobremesa: O bom do caminho é haver volta. Para ida sem vinda basta o tempo (Mia Couto, 1955-).

Até a próxima!

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