Post-216

Lista dos melhores livros de todos os tempos (www.thegreatestbooks.org)

111. Filhos e amantes (Sons and Lovers), D.H. Lawrence (1885-1930)

Embora não seja o livro mais conhecido do escritor britânico D.H. Lawrence (comparado, por exemplo, a O amante de Lady Chatterley), esta é uma de suas obras mais prestigiadas pela crítica. O enredo, carregado de traços autobiográficos, segue a história de uma família rural na Inglaterra, que vive em uma comunidade mineradora. A marcante personalidade da mãe transfere para os filhos um afeto exacerbado, capaz de levar a episódios de ciúme e desilusão, os quais transformam a vida familiar em uma sucessão de expectativas não realizadas. Como pano de fundo entram em cena temas controversos, sobretudo aqueles vinculados à sexualidade. Cabe lembrar que, pelos mesmos motivos, “Lady Chatterley” – publicado em 1928 por uma editora estrangeira – só foi liberado no Reino Unido em 1960.

David Herbert Lawrence era filho de um mineiro e de uma professora primária. Ele teve infância e adolescência difíceis, com parcas condições materiais devido à falta de dinheiro. Contudo, o grande abalo na vida de Lawrence foi a perda prematura da mãe. Dotado do dom da escrita, ele começou a redigir poemas, que foram seguidos por livros de contos. A obra “Filhos e amantes”, que consistiu no terceiro romance de Lawrence, foi lançada em 1913. Apesar de, reconhecidamente, ser um bom escritor, ele era malvisto pelos colegas do mundo literário, notadamente por suas tendências políticas controversas, ostensivamente abertas à aceitação e divulgação do nazismo e do fascismo. Como exemplo, seu obituário, publicado na imprensa inglesa, foi muito breve e pouco elogioso. Lawrence, apesar da saúde frágil, era um entusiasmado viajante, tendo escrito diversos livros sobre regiões em todos os continentes. De 1922 a 25 ele viveu com sua esposa nos EUA e no México. Tendo contraído tuberculose foi induzido a retornar à Europa, escolhendo a Itália como o primeiro destino. Sua morte ocorreu na cidade francesa de Vence, situada na Provence, próxima a Nice. O corpo foi cremado e as cinzas lançadas no oceano.

Além de algumas séries televisivas, destaca-se o filme Filhos e Amantes, de 1960, dirigido por Jack Cardiff (1914-2009) e estrelado por Trevor Howard (1913-88). A tradução comercializada no Brasil é a mesma das edições portuguesas, realizada por Cabral do Nascimento e lançada aqui pelo Círculo do Livro (1973 e 89) e pela Le Books (2020).    

Língua malaia

Conforme já comentado anteriormente, a língua malaia que, virtualmente, é a mesma língua indonésia, apresenta estruturas gramaticais e léxicas semelhantes à língua-irmã. Neste Post destacaremos as poucas diferenças existentes entre os dois idiomas. A língua malaia é falada na Península Malaia, em partes da Indonésia e em algumas regiões vizinhas, como os países de Singapura e Brunei. Estima-se que a variante malaia seja falada por cerca de 30 milhões de pessoas como primeira língua. Já o número total de usuários, incluindo aqueles que a utilizam como segunda língua, é de difícil avaliação.

As histórias da Malásia e da Indonésia guardam uma evolução temporal semelhante. Em 1511 os portugueses conquistaram o porto de Málaka (Melaka) na Malásia, um entreposto comercial com relevante posicionamento estratégico. Em linhas gerais, Inglaterra e Holanda passaram a dominar aquela região insular do Pacífico após a saída dos portugueses, até que, em 1824 foi firmado um tratado diplomático que concedia aos ingleses a administração da Malásia e aos holandeses a da Indonésia. A Malásia, que se tornou independente em 1957, incorporou Singapura ao seu território, situação essa que perdurou de 1965 a 67.

A primeira grande diferença entre as línguas malaia e indonésia é exatamente consequência das características do domínio territorial, ou seja, a variante malaia recebeu fortes influências da língua inglesa enquanto a variante indonésia teve seu vocabulário enriquecido com numerosos empréstimos do holandês. Alguns exemplos (em primeiro lugar em malaio e depois em indonésio): televisão (televysien/televisi), correios (pejabat pos/kantor pos), dia de Natal (Krismas/Natal), bolsa (beg/tas), toalha (tuala/handuk), tia (makcik/tante), carro (kereta/mobil), bicicleta (basikal/sepeda).

Existem também casos em que o mesmo vocábulo apresenta distintos significados: Tandas (verbo “explicar” na Malásia e “terminar” na Indonésia), berbual (“conversar” e “mentir”), bercinta (“estar apaixonado” e “fazer amor”), budak (“criança” e “escravo”).

Embora as variantes malaia e indonésia tenham uma fonética isocrômica (cada sílaba leva o mesmo tempo para ser falada), que é o oposto da característica tonal, podem ser observadas algumas diferenças de pronúncia, principalmente em relação à sílaba final das palavras. Por exemplo, a mesma expressão terima kasih (“obrigado”) é ouvida como “kasí” na Indonésia e “kasê” na Malásia. São pequenos detalhes, que configuram muito mais uma variação de sotaque. Se tentarmos estabelecer uma comparação dessas diferenças com aquelas existentes entre o português do Brasil e de Portugal, poderíamos argumentar que, na parte do léxico (vocabulário), a situação é semelhante, contudo, na fonética temos variações muito maiores entre nosso país e as terras lusitanas.

A costumeira lista de expressões que trazemos ao final de cada descrição idiomática pode ser aqui repetida, pois os termos são os mesmos nas variantes malaia e indonésia. Apenas para não deixar o rigor de lado, vale registrar que o dia de domingo (minggu na Indonésia), na Malásia é ahad, palavra que, em indonésio, significa “semana”. Curiosamente, as línguas ucraniana e bielo-russa, que são muito próximas da russa, designam “domingo” como a palavra russa para “semana”. São os caprichos dos idiomas.       

Escritores que faleceram jovens (8)

  • João do Rio (pseudônimo de João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto), 39 anos (05/08/1881, Rio de Janeiro – 23/06/1921, Rio de Janeiro), jornalista, acadêmico mais jovem a ingressar na ABL em 1910, infarto do miocárdio.
  • Flannery O’Connor, 39 anos (25/03/1925-03/08/1964), escritora norte-americana, morte causada por lúpus.
  • Manuel Maria du Bocage, 40 anos (15/09/1765-21/12/1805), neto de franceses, poeta português representante do arcadismo (exaltação à natureza), conhecido também pela sua poesia erótica, morte por aneurisma.
  • Franz Kafka, 40 anos (03/07/1883-03/06/1924), escritor tcheco de etnia alemã, principais obras: A metamorfose, O processo, O castelo, tuberculose laríngea.
  • Jack London (pseudônimo de John Griffith Chaney), 40 anos (12/01/1976-22/11/1916), escritor norte-americano, obras de destaque: O chamado da natureza, Caninos brancos, morte por uremia (acúmulo de substâncias tóxicas no sangue).

Frase para sobremesa: A pobreza não tira a nobreza a ninguém, a riqueza sim (Giovanni Boccaccio, 1313-75).

Bom descanso!

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