Post-215

Lista dos melhores livros de todos os tempos (www.thegreatestbooks.org)

110. O tambor (Die Blechtrommel), Günter Grass (1927-2015)

Aqui temos mais um caso de o escritor lançar sua obra-prima logo na estreia literária. “O tambor” foi publicado em 1959, quando o autor tinha apenas 32 anos. Sem dúvida esta obra foi uma das responsáveis (se não a principal) pela concessão do Prêmio Nobel de Literatura em 1999 ao alemão Günter Grass. Além de escrever romances, Grass também se destacou como dramaturgo. No Post 84 o leitor encontra comentários sobre sua biografia, incluindo a polêmica e tardia declaração (2006) – a qual caiu como uma bomba no meio literário – de que ele tinha atuado na juventude como membro da abominável SS, a organização paramilitar do Partido Nazista. Na verdade, a maior inquietação se referiu à sua espera de seis décadas após o fim da Segunda Guerra Mundial para informar ao público sobre essa questão.

De qualquer forma, Grass foi um dos expoentes do Realismo Mágico europeu, como pode ser evidenciado pelo sucesso de público e crítica em relação ao livro “O tambor”. Não custa destacar que a tradução literal do título original é “O tambor de lata”, como foi corretamente designado em Portugal. A obra descreve a atribulada vida de Oskar, filho de uma mãe infiel e de um pai fanático pelo nazismo, que, aos três anos de idade, recebe um tambor de lata como presente. Nesta oportunidade, encantado com o novo brinquedo, ele decide não mais crescer fisicamente. Sempre que ele toca o tambor, são ressuscitadas lembranças, principalmente relacionadas à guerra. Quando alguém tenta tirar o tambor de suas mãos, Oskar solta um grito fortemente agudo, capaz de quebrar vidros e cristais no seu entorno. Precisa-se de algo mais para conferir à obra um marcante realismo mágico? O livro, narrado em grande parte na primeira pessoa, reflete o dilaceramento do mundo alemão no pós-guerra. Em uma clara metáfora, o próprio Oskar representa a fragilidade e o desassossego de um país que tentava se reerguer das ruínas da guerra

A obra teve uma brilhante adaptação cinematográfica (1979) dirigida por Volker Schlöndorff (1939-), com o jovem ator suíço David Bennent (1966-) no papel de Oskar. O filme recebeu a Palma de Ouro no Festival de Cannes, além do Oscar de melhor filme estrangeiro.

A tradução para o português, feita por Lúcio Alves e Raquel Valença, foi publicada por diversas editoras, dentre elas Círculo do Livro (1987) e Nova Fronteira (1982 e 2017).

Língua indonésia (2)

O idioma indonésio é escrito no alfabeto latino, com todas as suas 26 letras, sendo que cada uma delas pode possuir de um a três sons.  Em algumas regiões do país ainda pode ser encontrado o alfabeto Jawi, que é uma versão adaptada do alfabeto árabe. Os pronomes pessoais variam em “pessoa do discurso” (primeira, segunda e terceira pessoa), em “número” (singular e plural) e em graus de formalidade, mas não em gênero. Como ocorre em diversas línguas asiáticas, o pronome “nós” possui as formas inclusiva (interlocutor faz parte da ação) e exclusiva (interlocutor não faz parte da ação). As relações de posse são construídas com o substantivo seguido pelo pronome pessoal, como no exemplo: rumah (casa) saya (eu), portanto “minha casa”. Se a ordem for invertida (saya rumah), o significado mudará para “eu sou uma casa”, adquirindo assim um misterioso tom surrealista.

Os verbos em indonésio não são declinados por pessoa ou gênero e nem são marcados pelo tempo, o qual é sempre expresso por meio de advérbios. Como já apontado em Posts anteriores, a maior parte das línguas da família malaio-polinésia apresenta a característica de reduplicação de palavras. Uma de suas funções é indicar o plural, como por exemplo buku-buku (livros), piring-piring (pratos). Mas esse processo serve também para alterar o significado de alguns verbos (melihat – ver, melihat-lihat – olhar ao redor; membuka – abrir, membuka-buka – folhear um livro ou jornal) ou intensificar seu sentido (meminta – solicitar, meminta-minta – implorar). Algumas duplicações nem sempre têm relação direta com os formadores. Assim: laki (marido), laki-laki (homem).  Ou então: mata (olho), mata-mata (espião). A propósito, a conhecida espiã holandesa Margaretha Zelle (1876-1917), de cognome mata-hari (“olho do dia” ou seja, “sol”), era inicialmente uma dançarina que se casou com um holandês e morou por muitos anos em Java, uma das ilhas da Indonésia. De folclórica beleza, ela, após retornar à Europa, colecionou uma fieira de amantes, dentre eles diversos diplomatas alemães. Acusada pelos franceses de espionagem, foi condenada à morte por fuzilamento ao final da Primeira Guerra Mundial. Conta-se que os membros do pelotão de execução dispararam os tiros com os olhos fechados, sob pena de serem seduzidos pelo magnético olhar de Mata-Hari, que recusara usar uma venda. Assim reza a lenda e, muitas vezes, é ela que fica.        

Dias da semana: senin, selasa, rabu, kamis, jumat, sabtu, minggu.

Números de 1 a 10: satu, dua, tiga, empat, lima, enam, tujuh, delapan, sembilan, sepuluh.

Algumas expressões: Salam sejahtera (Olá), Selamat pagi (Bom dia – no início da manhã), Selamat siang (Bom dia – no final da manhã; se o caro leitor tiver a natural curiosidade para conhecer a expressão usada no meio da manhã, acho que qualquer uma das duas seria válida), Selamat tinggal (até logo – para quem parte), Selamat jalan (até logo – para quem fica), Saya tidak mengerti (eu não entendo), Maafkan saya (desculpe), Mohon (por favor), Saya cinta kamu (eu te amo), Terima kasih (obrigado). Fonte: Omniglot

Escritores que faleceram jovens (7)

  • Arthur Rimbaud, 37 anos (20/10/1854-10/11/1891), poeta simbolista francês, obra de destaque: Uma temporada no inferno, câncer no joelho.
  • Thomas Wolfe, 37 anos (03/10/1900-15/09/1938), escritor norte-americano conhecido pelas obras de ficção autobiográfica (na qual nomes de pessoas e localidades são alterados e eventos ocorridos são recriados), morte por tuberculose.
  • Federico Garcia Lorca, 38 anos (05/06/1898-18/08/1936), poeta e dramaturgo espanhol, obras de maior destaque: Bodas de sangue, A casa de Bernarda Alba, fuzilado durante a Guerra Civil Espanhola.
  • Blaise Pascal, 39 anos, (19/06/1623-19/08/1662), matemático, escritor e filósofo francês, livro mais conhecido: “Pensamentos”, morte provavelmente por meningite.

Frase para sobremesa: A literatura corresponde a uma necessidade universal que deve ser satisfeita sob pena de mutilar a personalidade, porque pelo fato de dar forma aos sentimentos e à visão do mundo ela nos organiza, nos liberta do caos e, portanto, nos humaniza. Negar a fruição da literatura é mutilar a nossa humanidade (Antonio Candido, 1918-2017).

Até a próxima!

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