Escritores que ganharam o Prêmio Nobel de Literatura.
2017: Kazuo Ishiguro (1954-): o escritor nipo-britânico emigrou para a Inglaterra quando tinha cinco anos de idade, devido ao convite feito ao seu pai para atuar como oceanógrafo em uma instituição de pesquisa. Todas as produções literárias de Kazuo foram escritas em inglês. Em 1983 ele se tornou cidadão britânico. Na adolescência seu sonho era ser músico, no entanto, como suas composições eram rejeitadas pelas gravadoras, decidiu se dedicar à escrita. De 1974 a 78 Kazuo estudou Inglês e Filosofia na Universidade de Kent. Em seguida foi selecionado para participar de um curso de Escrita Criativa ministrado pelo escritor Malcom Bradbury (1932-2000) na Universidade de East Anglia em Norwich. Seu trabalho final do curso gerou a produção de seu primeiro romance “Uma pálida visão dos montes” (A pale view of hills), publicado em 1982, no qual ele explora a identidade japonesa. Kazuo não é um escritor prolífico, tendo até o momento (2023) redigido oito romances, um livro de contos e algumas peças de teatro. Por vezes ele passou longos períodos, um deles de até 10 anos, sem publicar romances. No entanto, poucos ganhadores do Nobel de Literatura tiveram interação tão forte com o cinema. O livro que muitos consideram sua obra-prima, “Vestígios do dia” (Remains of the day, 1989) foi levado às telas com grande sucesso, tendo a direção do norte-americano James Ivory (1928-), o roteiro do próprio Kazuo e as soberbas atuações dos britânicos Anthony Hopkins (1937-) e Emma Thompson (1959-). A obra, que ganhou o prêmio Booker Prize nesse mesmo ano, consiste em envolvente relato sobre as recordações de um mordomo que trabalhava para um aristocrata inglês durante a Segunda Guerra Mundial. Outra obra de Kazuo adaptada para o cinema foi “Não me abandone jamais” (Never let me go, 2005), dirigida por Mark Romanik (1959-) e contando com a celebrada atriz britânica Keira Knightley (1985-) no elenco. A peça de teatro “Viver” (Living), embora não sendo da autoria de Kazuo, teve sua participação como roteirista na adaptação cinematográfica dirigida pelo sul-africano Oliver Hermanus (1983-) e tendo no papel principal o ator britânico Bill Nighy (1949-). O filme foi nomeado para concorrer ao Oscar de melhor ator e de melhor roteiro adaptado. Outros roteiros de Kazuo foram para os filmes “A música mais triste do mundo” (The saddest music in the world, 2003), que relata uma competição para se encontrar a música que fosse mais triste, tendo a direção do canadense Guy Madden (1956-) e a atuação de Isabella Rosselini (1952-), além da película “A condessa branca” (The white countess, 2005), também dirigida por James Ivory e com a presença do ator britânico Ralph Fiennes (1962-), a qual explora a vida de um diplomata cego em Shangai. Uma prova do constante envolvimento de Kazuo com a sétima arte foi o convite para que ele compusesse o júri do Festival de Cinema de Cannes em 1994.
Kazuo só voltou à sua terra natal em uma curta viagem após 30 anos de emigração. Ele é casado desde 1986 e possui uma filha. Na maior parte de seus livros é utilizado o estilo narrativo na primeira pessoa. Para nossa tranquilidade, quase todas as suas obras já foram editadas no Brasil.
A língua macedônia
O idioma macedônio (македонски јазик) pertence ao grupo das línguas eslavas meridionais, juntamente com o servo-croata, o eslovênio e o búlgaro. Com este Post terminamos a apresentação do amplo grupo das línguas eslavas. O macedônio é falado por cerca de 3 milhões de pessoas na Macedônia do Norte e em regiões de países vizinhos, como Albânia, Kosovo, Romênia, Bósnia e Sérvia. Na Bulgária ele é considerado como um dialeto do búlgaro, enquanto na Grécia ele é, ou ignorado pela maior parte das pessoas, ou designado como macedônio eslávico. Já comentamos no Post anterior o ciúme, rivalidade, preconceito ou qualquer outra palavra que se aplique ao distanciamento entre os países Macedônia do Norte e Grécia, devido ao fato de este último abrigar uma província histórica de nome Macedônia. Para complicar ainda mais a disputa, resolvida pacificamente em 2019 (v. Post 99), registra-se a ousada iniciativa do governo da Macedônia do Norte de dar ao principal aeroporto do país, na capital Skopje, o emblemático nome de Alexandre, o Grande (356-323 a. C.), o famoso rei da Macedônia grega. Por falar em aeroporto, não custa lembrar que a cidade de Tirana, capital da Albânia, batizou o aeroporto com o nome de Madre Teresa de Calcutá. De fato, a referida madre era de origem albanesa, tendo nascido, no entanto, em Skopje, na Macedônia do Norte. Não se deve confundir o atual idioma macedônio com a língua macedônia antiga, parente do grego, e falada desde o século V a. C. no reino grego da Macedônia.
Como vimos no Post 102, as línguas búlgara e macedônia trilharam a mesma evolução histórica, só vindo a se separar de forma efetiva a partir do século XIX. A atual língua macedônia só foi codificada (definição da estrutura gramatical, léxica e fonológica) em 1945. Ela compartilha com o búlgaro a existência de artigos sufixados, só que aqui eles têm três categorias: não específico, próximo e distante, ou seja, o sufixo depende se o objeto está próximo ou longe de quem fala. Por exemplo, мажом (majóm – o homem) é o termo genérico. Se ele está próximo seria мажов (majóv) e mais distante мажон (majón). Além disso, no macedônio existem três tipos de plural: regular, para objetos contáveis e para o coletivo. O macedônio e o búlgaro são as únicas línguas indo-europeias que possuem o modo narrativo. Ele estabelece uma diferença verbal entre algo confirmativo (ele foi) e algo apenas suposto ou informado por terceiros (ele deve ter ido). Dentre todas as línguas eslavas, o macedônio é aquela que apresenta o maior percentual de vogais em uma frase (o que a torna mais sonora) com uma relação média de apenas 1,18 consoantes por vogal (sim, os linguistas medem isso). Alguns curiosos diacríticos: ѓ (som de gie), ќ (kie), џ (dj), ԡ (lie), ԣ (nie). Além disso o macedônio é a única língua eslava de alfabeto cirílico com a letra “s” (som de ds).
Os pronomes pessoais são: jаć (iatch), ти (ty), toj, ние (nie), вие (vie), тие (tie). Números de 1 a 10: еден (eden), два (dva), три (tri), четири (tchetyry), пет (pet), шест (chest), седум (sedum), осум (ossum), девет (devet), десет (decet). Dias da semana: понеделник (ponedielnik), вторник (vtórnik), среда (sriedá), четврток (tchetvrtok), петок (petok), сабота (sabota), недела (nedela). Algumas expressões: добро утро (dobro utro – bom dia), здраво (sdrava – olá), не разбирам(ne rasbiram – não entendo), простете (proctietie – desculpe), ве молам (ve molam – por favor), благодарам (blagadaram – obrigado), те сакам (te sacam – eu te amo), довидуваԣе (daviduvanie – até logo; observem a penúltima letra “ԣ”, que tem o som de nie).
Origens de algumas marcas de uísque (2)
Jim Beam: também produz uísques do tipo Bourbon. O fundador da empresa foi um imigrante da Alemanha, Johannes Böhm (1760-1834), que posteriormente mudou o sobrenome para Beam.
Johnnie Walker: é atualmente a maior fabricante do mundo. O primeiro proprietário foi John Walker (1805-57), que construiu uma fábrica em Ayrshire, Escócia. Após sua morte, os filhos continuaram a administrar a empresa. A destilaria criou as garrafas de formato quadrado, aumentando assim a capacidade de armazenamento dos produtos.
Logan: empresa fundada em 1903 pelo escocês James Logan Mackie, a qual também produz o uísque White Horse.
Old Parr: marca baseada na lenda de “Old Tom” Parr que teria vivido de 1483 a 1635, portanto por 152 anos. O célebre médico britânico William Harvey (1578-1657) que, pela primeira vez, descreveu o sistema circulatório no corpo humano, realizou uma autópsia no cadáver de Parr, constatando que muitos órgãos ainda estavam em bom funcionamento. Contudo, estudos mais modernos, baseados nos resultados da autópsia, indicam o falecimento em uma idade em torno de 70 anos (viva a imaginação popular!). O “velho Parr” está enterrado na catedral londrina de Westminster.
Muitas marcas de uísque escocês – notadamente os chamados single malt – têm o nome derivado da cidade onde fica a destilaria ou de algum destaque geográfico da região. Por exemplo, aqueles nomes que se iniciam com Glen- indicam a existência de um “vale”, em gaélico. Assim, Glenlivet é o “vale do rio tranquilo” e Glenfiddich “vale dos cervos.” Marcas bastante conhecidas como Cardhu (rocha negra), Lagavulin (o oco do moinho) ou Talisker (terra do penhasco) se reportam ao nome das localidades onde são fabricadas as bebidas.
Frase para sobremesa: Vamos às reflexões de Kazuo: 1) Você tem de aceitar que, eventualmente, é assim que as coisas acontecem nesse mundo. As opiniões das pessoas, os seus sentimentos, umas vezes vão por um caminho, outras vezes por outro. O que acontece é que você terá crescido até certo ponto nesse processo. 2) Haveria uma outra vida que eu poderia ter tido, mas tenho esta.
Bom descanso!